Todos os dias, eu busco ser feliz, ter pensamentos positivos e amorosos, agir com delicadeza e generosidade. Eu sei que você também tenta fazer isso. Independente da vida que se vive, todo mundo um dia tenta. Afinal, quem quer ter uma vida negativa, cheia de dor, raiva e medo, vivendo numa amargura e frustração que parece não ter fim? Ninguém quer. O que acontece é que, na maior parte das vezes, nos convencemos que é impossível livrar-nos dos pensamentos negativos e do hábito da dor. Tentamos diversos caminhos e todos parecem levar a um mesmo fim: nada muda. O que talvez falte a muitos dos que tentam sem sucesso é a certeza que tudo isso é hábito, criado a partir de uma repetição vivida pela vida toda e que, por ter sido criado, pode ser descriado. Quando percebi que poderia descriar hábitos nocivos na minha vida, a primeira coisa que perguntei foi “como?”. Depois passei por uma fase de negação até chegar ao dia de hoje e saber que “é possível e é real". Mas o caminho exige que eu deixe de lado hábitos e crenças que, de tanto repetir, passaram a fazer parte de quem eu sou.

Criar hábitos é um superpoder do nosso corpo. Servem para nosso corpo automatizar atividades e, assim, reduzir a quantidade de energia que gastamos com coisas rotineiras. Assim ganhamos mais espaço e potência para fazer tarefas novas e que exigem o foco e atenção do cérebro. Um exemplo: aprender a andar de bicicleta. Você sobe no selim, põe um pé no pedal e tenta ir para frente. Cai, mas aprende a se equilibrar com algum esforço… Depois, já consegue andar em linha reta, mas não sabe fazer a curva… Bate numa árvore, no amigo, no muro, se machuca… No fim de muitas tentativas, você já sabe andar de bicicleta perfeitamente. Como diz o ditado, uma vez que você aprendeu, jamais esquece! Sabe porque? Cada parte do processo de tentativa e erro que você viveu enquanto aprendia foi registrado pelo seu cérebro e pelo seu corpo até se tornarem um hábito. Então, não importa o quanto tempo você fique sem a andar de bicicleta, no momento que você sobe em uma, você sabe exatamente o que fazer. Esse mecanismo permite que tudo o que você aprendeu e que tem importância na sua vida seja automatizado e vire repetição inconsciente, para que não seja desperdiçada energia desnecessária depois reaprendendo tudo novamente.

Agora amplie o conceito para o que fazemos no nosso dia. Reclamar? Um hábito. Fofocar? Outro hábito. Ser grato? Também. Até a forma como aprendemos e lidamos com nossos traumas também viram hábito? Sim, e esses são os que costumam perpetuar nossas dores mais profundas. Nosso corpo não distingue aprendizados “bons” e “ruins”. O que é aprendido fica gravado para depois ser repetido e reforçado todos os dias. Vira automático. Inconsciente. Não percebemos mais como, o que, porquê e para quê fazemos. Apenas fazemos e não sabemos como parar.

A psicologia

conseguiu mapear

que, quando chegamos na metade da nossa vida, apenas 5% do nosso dia é vivido de forma consciente, todo o restante está sob o comando do subconsciente e seus hábitos aprendidos. Na meia idade, 95% do que fazemos é automático: escovar os dentes, dirigir, se vestir, comer compulsivamente quando se está nervoso, fofocar, reclamar da vida, julgar os outros, culpar todo mundo pelo que nos acontece… a lista é grande! Indo ainda mais longe, repetimos tantas vezes as mesmas atividades que passamos a acreditar que somos ela. Isso só dificulta ainda mais a mudança, afinal se você é (re)conhecido por reclamar e ser negativo, deixar esse hábito de lado significa que você vai deixar de ser você. Louco, né? Pois é  assim que funcionamos.

Quando falo que o hábito mais difícil de vencer é o de sermos nós mesmos, vai parecer exagero para você. Acredite, não é. Tirar nosso corpo e mente do automático foi (e é!) uma das tarefas mais difíceis que eu tive que fazer na minha vida pessoal. O automático é confortável, sair dele causa um desconforto imenso. Abraçar esse desconforto pode ser assustador, afinal nos acostumamos a viver e ser ele de uma forma que deixá-lo é como deixar uma parte de nós para trás. No meu caminho, costumo me fazer a mesma pergunta: quem sou eu se esse medo, raiva, dor, trauma não fizer parte da minha vida? Não é uma resposta simples e direta, mas é possível de ser encontrada ao longo da vida.

E você? Sabe quem você é sem suas dores, traumas, medos e hábitos arraigados?

Sobre o autor Sara Matos

Psicoterapeuta e empreendedora.

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