Chico Buarque mentiu para mim

Há muito tempo, desde que me entendo por gente, eu me pergunto sobre o que é ser mulher nesse mundo, o que é feminino, e como viver sendo mulher. Algumas letras de música pareciam descrever tanto minha alma no passado! James Brown com “this is a man’s world, but it wouldn’t be nothing without a woman or a girl / Esse é o mundo de homens, mas não seria nada sem uma mulher” (ouça aqui). Ou Rita Lee com “nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda… meu peito não é de silicone, eu sou mais macho que muito homem!” (ouça aqui). Beyonce, Pitty, tantas outras cantoras e suas musicas traduziam meus sentimentos tão bem.

20 e poucos anos, o começo

Minha pergunta inquietante era: se esse é um mundo de homens, que não seria nada sem uma mulher, como posso ser uma e viver como uma mulher aqui e agora? Já sei… preciso afirmar meu poder num cabo de guerra que não tem a menor chance de chegar ao fim. Estava dado início à era da mulher independente financeiramente, que tinha tudo o que era seu, que não precisava da ajuda de ninguém! Eu devia ter uns 25/26 anos nessa época.

Foi uma revolução na minha vida! Eu tinha meu dinheiro, trabalhava e era reconhecida na minha profissão, portanto achava que era um mulherão (uuhhhhh…). Mas se pelo lado de fora eu estava muito bem desenvolvida socialmente, pelo lado de dentro eu continuava uma menina frágil, insegura, carente. E, por anos, era essa menina quem gastava o dinheiro que a mulher socialmente desenvolvida gerava, e me deixou com uma dívida enorme para pagar.

30 e poucos anos, e a mentira de Chico

Com uns 34/35 anos, as perguntas mudaram. Fui numa roda de feminino com algumas amigas (a foto acima é dessa roda) e descobri que, até aquele momento, eu odiava ser mulher nesse mundo. Queria ter nascido homem. Por mim, teria feito cirurgia para retirar meu útero e nunca mais menstruar. Estava cansada desse cabo de guerra, dessa guerrilha dos sexos, dessa afirmação de que só sou mulher na luta. Baixei as armas e comecei a entrar em contato com aquela menina frágil em mim. Como olhei para ela, ouvi sua fragilidade, seu choro, chorei com ela tantas vezes, e minha vida financeira deu uma acalmada. Saí de dívidas, compreendi meu padrão de compras, fiz uma transição de carreira… Tudo mudou.

Das perguntas de uma mulher de 35 anos até alguns meses atrás, eu passei a aceitar ser mulher. Numa caminhada de transformação de 10 anos, passei a não mais odiar minha condição, mas agora poderia tolerar ser mulher porque, enfim, não tinha jeito mesmo. Tolerar, na minha caminhada, era algo melhor que rejeitar. Eu avançava nesse processo de me entender como mulher nesse mundo que não fosse na base da guerrilha. Ou ao menos a guerrilha fosse uma opção, não uma obrigatoriedade para existir no mundo.

No meio do caminho, eu descobri que o dinheiro é feminino, cíclico, lunar, claro e escuro, emocional. O tolerar ser mulher também deu espaço para enxergar o dinheiro e a vida financeira diferentes, trazendo uma revolução financeira na minha vida. Passei a gastar menos, comprar o que necessitava, fiz (e faço!) detox de compras e passei a investir também.

Enquanto escrevo, pensando numa música que poderia me revelar ainda mais, me lembrei de Chique Buarque e sua música Cotidiano: “Todo dia ela faz tudo sempre igual… me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã”. Um pensamento me cortou ao meio e me disse “mentiroso! eu não sou e nunca fui uma mulher assim”.

Chique Buarque mentiu para mim. Para todas nós! Essa mulher que faz todo dia sempre igual, com sorrisos pontuais, não existe. Se ela existir, ela é um homem. A mulher do Chico é solar, e só ela é. Porque eu e você somos lunares, e dinheiro também é. O dinheiro é lunar porque somos.

Somos lunares

Deixa eu explicar…

Temos a tendência de achar que o dinheiro é como o sol: regular, constante, nasce e se põe todos os dias, linear. Todo dia o sol faz tudo sempre igual. Ou seja, esperamos que nós nos comportemos como esse estado solar: de forma linear, regular, pontual, igual todo dia. Colocamos uma meta mensal e exigimos que todos os dias estejamos lidando com o dinheiro do mesmo jeito, de sol a sol.

Mas o dinheiro é lunar, na verdade, porque depende de nossos humores e emoções para ser direcionado. Hoje, se estou de bom humor, posso acreditar que a meta será batida… mas amanhã, estarei com o humor mais abalado e já não mais vou acreditar, e ainda assim seguirei.

Lidar com o dinheiro depende de compreendermos esse estado que parece ser cíclico como a lua, que demora um tempo para sair de uma fase para outra. Ao invés de ser linear e constante como o sol, ser cíclico e também constante, mas de uma forma diferente… 

40 e poucos anos, um possível fim? Ou seria recomeço?

Agora, com 46 anos, inaugurei uma nova fase interna. Essa semana, numa nova roda de mulheres (a foto acima é dessa roda), uma nova pergunta surgiu: será que é possível avançar ainda mais e poder celebrar ser mulher? Será que há uma forma de eu me alegrar com minha mulheridade (womanhood) apenas por ser mulher, não por tolerar algo que é inevitável? É possível dar esse passo além? E como o dinheiro e a vida financeira vai me acompanhar nesse processo?

(vou falar a verdade… desculpem-me as mais pudicas, mas a REAL pergunta na minha cabeça foi: será que posso sentir orgulho da minha vagina e útero tanto quanto um homem sente orgulho do seu pênis? kkkkkkkkkk)

Eu não sei o que virá, que transformação acontecerá ou como vou sair do outro lado, mas com certeza, eu e meu dinheiro nos assumiremos lunares.

Bom, se você leu até aqui esse relato da minha caminhada dos últimos 20 anos com o ser mulher e lidar com dinheiro, me transformar e ver minha vida financeira se transformar junto, tenho um convite para te fazer…

Dia 06/12, das 9:30 as 10:30, farei uma palestra on-line via Zoom com o tema “Mude sua relação com o dinheiro em 2026!”. Nessa palestra, eu falarei de 3 atitudes que você pode mudar, por dentro, para que sua vida financeira seja mais equilibrada. Será gravada e a gravação ficará disponível por um ano, para ser revisitada sempre que quiser.

O link de inscrição está logo aqui abaixo.

INCRIÇÃO – PALESTRA

A gente se vê dia 06 de dezembro.

Um beijo,

Sara.

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