Vamos fazer um exercício de imaginação livre. Se eu te falar a palavra “prosperidade”, o que primeiro vem à sua mente? Que desejos, palavras, frases, imagens, atitudes e comportamentos se sobressaem?
Eu não sei o que veio para você. Talvez tenha vindo uma grande tela azul, já que você nunca parou para refletir o que prosperidade simboliza para você. Ou quem sabe uma imagem de riqueza material, repleta de alegria e felicidade. Para muitos de nós, prosperidade e abundância costumam vir com uma imagem muito semelhante a essa: vou me sentir abundante e próspera quando eu puder chegar numa loja e escolher o que eu quiser sem me preocupar em como vou pagar por aquilo. Me sentirei e serei próspera quando eu puder ter o que desejo sem me preocupar com minha conta bancária ou quando dinheiro não for problema.
Por mais que exista aqui uma imagem positiva, ela também esconde um segredo que pouca gente reflete mais profundamente para compreender que essa imagem de prosperidade de aparências joga você na escassez financeira: ela desconsidera os limites e controle de impulsos como parte essencial de uma prosperidade real.
Deixa eu explicar melhor…
Normalmente, quando alguém entende prosperidade com comprar o que quiser sem se preocupar com a conta no final do mês, esse tipo de comportamento está presente. Estou passeando no shopping e vi um sapato, uma roupa, ou outro item qualquer e tive desejo de possuí-los. Não era algo que planejei, nem refleti sobre esse desejo súbito, apenas passo o cartão e vou ser feliz com minhas compras. Estou nas redes sociais e vi um post patrocinado de um curso qualquer que despertou meu desejo de possuir aquele conhecimento ali naquele momento? Passo o cartão e compro o conhecimento. Não importa o que eu desejo, se me sinto próspera, posso apenas sentir que o que desejo está ao alcance das minhas mãos (e do limite do meu cartão!) e, de forma impulsiva, conquisto meu desejo de forma imediata.
É como se houvesse uma compreensão de que pode-se gastar sem limites hoje, que não estaria sacrificando o futuro de forma alguma. Ou seja, não haveria a necessidade nem de prejudicar o aqui-e-agora, ou o futuro. Ambos poderiam acontecer.
Se estivesse conversando comigo pessoalmente, talvez você me perguntasse: “Porque isso não é prosperidade? O que tem de errado com essas imagens?” Porque parece que essa imagem mostra que alto padrão de gastos e pouca preocupação real com a vida financeira são sinônimos de prosperidade e abundância. “Eu quero, eu posso, eu gasto, e não prejudico nem o hoje, nem o amanhã” é a sequência “lógica” (que não tem nada de lógico na verdade) dessa imagem de prosperidade que não leva em consideração que dinheiro, como tudo o que é material e vivo, tem um limite.
Normalmente, que acredita que prosperidade é ter dinheiro o suficiente para não segurar nenhum desejo de compra é a mesma pessoa que no final do mês tem crises de ansiedade financeira por não saber como vai pagar a fatura do cartão de crédito. Ou tem dívidas e empréstimos feitos para cobrir esses gastos impulsivos, ao invés de refletir sobre suas compras. O futuro chega cobrando seu preço.
Prosperidade não existe na impulsividade e no imediatismo.
São dois movimentos que não coexistem num mesmo espaço. Ou você é impulsivo e faz compras imediatistas, ou você é próspero. Ou você tem prazer no aqui-e-agora, ou você pensa no futuro. Isso porque são duas formas diferentes demais de agir no mundo, uma cria uma vida financeira de problemática e a outra cria uma vida financeira nutritiva e equilibrada.
Sentir desejo de comprar algo e não refletir, não fazer conta, não balancear presente e futuro, apenas comprar justificando o gasto com um “eu mereço”, “amanhã eu vejo como pago”, “só se vive hoje”, etc, cria em você um circuito que leva direto para a escassez total. A dificuldade em se colocar freios para o impulso “eu quero e quero agora!” impede você de construir, por exemplo, patrimônio porque, para isso, você precisaria sacrificar uma parte dos desejos imediatistas pensando nas recompensas de longo prazo. Tudo o que é imediatista e impulsivo sacrifica um bem maior para um prazer momentâneo. (Me lembrei de uma cena de Friends que a irmã da Rachel fala para o Joe, enquanto ele comia pizza “once on the lips, always on the hips” / “uma vez na boca, sempre nos quadris”)
Prosperidade leva em consideração a reflexão sobre o que esse desejo significa para mim, sobre o que aquele objeto me trará de benefícios/prejuízos no curto e não-tão-curto prazo. Leva em consideração que há um limite para a matéria, que tudo o que é material é limitado e se torna obsoleto após um tempo, precisando ser gerenciado com inteligência. Prosperidade requer cuidado com aquilo que está à disposição, compreendendo que não possuímos ou conquistamos nada, e sim somos guardiões da nossa vida como um todo.
É por isso que não existe prosperidade na impulsividade e satisfação sem refrear de desejos.
A primeira atitude de quem deseja viver com prosperidade então é aprender sobre seus comportamentos de compra, sacrificando desejos que trazem prazer imediato em detrimento de um bem estar de longo prazo. Um detox de compras e um acompanhamento terapêutico no processo podem ser um bom lugar para se começar.
Em setembro, eu abrirei novas turmas para o grupo terapêutico DONA DO MEU DINHEIRO. Um grupo que tem 4 encontros para trabalharmos questões profundas sobre dinheiro e emoções, e um conteúdo gravado para te direcionar sobre caminhos interiores que precisam ser trilhados para quem quer viver uma vida próspera. A lista de espera já está aberta para quem quiser se inscrever antecipadamente.
LISTA DE ESPERA – DONA DO MEU DINHEIRO
E aí, vamos começar a olhar para dentro?
Um beijo,
Sara.
