Perimenopausa, o grande ciclo de TPM?

Talvez por força da minha própria profissão, talvez por curiosidade particular, talvez por tentar entender muito do que vivo e sinto e não sei nomear direito, eu curto ler sobre os aspectos simbólicos e subjetivos/interiores dos ciclos femininos. O que acontece dentro da gente diante dos grandes momentos da biologia? Daqueles que toda mulher passa durante a vida, como menstruação, gravidez e menopausa?

Pra mim, a menstruação sempre foi um mistério. Eu cresci sem conversar com outras mulheres sobre esse assunto e me sentia muito sozinha lidando com ele. Mas de uns tempos pra cá, tenho me aberto a conversar sobre isso com outras mulheres e tem sido muito bom… Outro dia, estava conversando com uma amiga, já que estamos passando pela mesma fase de vida, a perimenopausa, e percebi que eu estava lidando com essa fase de uma forma “errada”.

Biologicamente, a perimenopausa é uma fase que não existe, já que os grandes marcos biológicos são: o início do grande ciclo fértil com a menstruação, a fertilidade no seu auge com a gravidez e o fim desse ciclo com a menopausa. O que acontece no meio do caminho é apenas material de transição, mas que mexe muito com nosso emocional e vida psíquica.

Segundo li (tem um livro maravilhoso sobre isso The New Menopause, ainda sem versão em português), a perimenopausa é um tempo de transição que dura entre 7 a 10 anos para a mulher, marcado por uma série de sintomas físicos que vão desde cansaço, perda de libido, pele mais seca, piora da saúde mental e outros. Fiquei chocada que um dos marcadores mais fortes da chegada da perimenopausa são tanto a perda de libido como a piora da saúde mental da mulher. Sintomas depressivos, ansiosos, agitação mental, névoa mental, confusão de pensamentos, tudo isso faz parte desse período.

Nos últimos 2 anos, tenho sentido isso tudo na pele. Dificuldade de me concentrar, episódios depressivos recorrentes, irritação sem causa aparente, medos do futuro, pensamentos confusos, noites mal dormidas por causa de sonhos aterrorizantes, medo da solidão. Eu achava que estava vivendo tudo isso sozinha, que havia algo de errado comigo, até conversar com amigas e perceber que elas viviam situações semelhantes. Foi aí que me deu um clique e passei a investigar melhor sobre aspectos psíquicos dessa fase da vida da mulher e o que encontrei me deu não apenas alívio, mas também um caminho para lidar com essa fase com muito mais leveza e recurso.

Acho que poderíamos dizer que, psiquicamente, a perimenopausa é como se fosse a “TPM” do grande ciclo de uma mulher. Acompanha meu raciocínio…

Imagine que o que vivemos todo mês não diz respeito apenas ao mês em si, e sim a uma reprodução numa pequena escala de algo que acontece numa escala muito maior, pela vida inteira fértil de uma mulher. Todo mês, entramos no ciclo fértil após a menstruação, vivemos no auge da nossa energia hormonal durante a fase folicular, até o momento em que ovulamos. Depois da ovulação, os hormônios se modificam, vamos ficando mais irritadiças, mais nervosas e sem muita simpatia para ficar distribuindo por aí. É a TPM que chega, preparando o terreno para a menstruação e retorno ao ciclo.

Também vivemos esse mesmo ciclo numa escala maior da vida: pós a primeira menstruação, o corpo passa uns anos para se adaptar à essa carga hormonal. Temos energia de sobra, realizamos na vida, trabalhamos e construimos. Em um momento, atingimos o auge da fertilidade, para algumas com o desejo e concretização da maternidade, para outras com o desejo de realizar algo de bom no mundo. Quando essa fase da fertilidade começa a reduzir, entramos na TPM do grande ciclo, nos preparando para a menstruação final, aquela que nos dará entrada na fase que viveremos de forma permanente até o fim da vida: menopausa.

Por isso, consegui compreender que o que vivemos no microtempo mensal, vivemos no macrotempo, no tempo de uma vida toda. O que acontece “em cima”, acontece “em baixo”. No pequeno tempo e no grande. E, assim, podemos compreender que o que vivemos todo mês pode vir a ser um reflexo do que vamos viver durante toda a vida fértil.

Não sei para você, mas isso fez muito sentido para mim! Ainda mais compreendendo quais aspectos psíquicos se revelam para nós nos dias entre a ovulação e a menstruação. E me deu um olhar diferente para a perimenopausa, numa perspectiva interior, psíquica.

Não vou entrar nos aspectos biológicos da fase pré-menstrual, e sim nos psicológicos. Nesse período que compreende os dias depois da ovulação e antes da menstruação, o limiar entre consciência e inconsciente fica muito mais fluido. Conteúdos emocionais reprimidos e desconhecidos invadem a consciência com mais facilidade, já que a barreira entre consciente e inconsciente fica menor.

É também por causa disso que você fica muito mais irritada, emotiva, sem muita energia, se sentindo sem graça… Parece até que um outro ser se apossa do seu corpo e você tem dificuldade de se reconhecer. Nessa fase, qualquer ato emocional é justificado com um “estou de TPM”… “não sou eu, são meus hormônios!”

Psicologicamente, a frase mais adequada é “não sou eu, é minha sombra!”.

Sombra é a parte do nosso mundo interior que é guardiã e cuidadora de todo conteúdo emocional que vivemos, mas a consciência não conseguiu dar conta, seja porque é algo muito diferente da consciência, seja porque é desconhecido da consciência e, portanto, dá medo. Ao longo do mês, à medida que vamos dizendo “nossa, não quero olhar para isso…”“ai, isso eu não quero lidar!” e vamos reprimindo e escondendo esse conteúdo, ele vai para a sombra e, aproveita a TPM para vir passear no mundo luminoso, causando caos.

É claro que quanto mais uma mulher cuida de sua vida interior durante o mês, mais ela consegue lidar com os conteúdos que emergem na TPM. O que dentro do mês foi integrado, não reaparece na TPM como forma de sintoma, seja físico, seja emocional.

Há 2 anos, quando comecei a entrar na perimenopausa, comecei a sentir um aumento na carga dos conteúdos emocionais. Tive sintomas depressivos mais intensos, ansiedade financeira toda semana, um cansaço, uma irritação e perda de energia. Parecia que eu não era mais eu… estava difícil me reconhecer. Foi então que me veio uma ideia: “parece que estou numa TPM sem fim.” E assim que esse pensamento tomou forma na minha mente, pude lidar de um jeito diferente.

Afinal, de TPM eu entendia… Eu vivo esse ciclo todo mês desde os 13 anos. Então, fazendo contas básicas, até os 42 anos, eu já tinha passado pela fase pré-menstrual umas 350 vezes. Esse filme me era familiar… e, por isso, eu já sabia como lidar com ele: olhando para a minha sombra.

Foi e está sendo curador. E todos os sintomas reduziram drasticamente. Me sinto eu novamente, com mais consciência dos movimentos que existem e dos conteúdos que habitam meu mundo interior. Partes dessa história que eu não pude encontrar e integrar estão vindo a tona agora e tem sido muito belo. Estou mais cuidadosa com meu corpo, ouvindo seus pedidos e me encontrando em mim mesma…

O que começou como um pesadelo, agora é puro amor e encontro com a Alma.

Não sei se você também está nessa mesma fase, mas se sim, terapia ajuda num tanto! Porque é uma fase mais difícil para quem ainda tem pouco ou nenhum contato com seu mundo interior. Mas não precisa ser assim…

Terapia é para todos.

Vamos iniciar um processo?

Beijos,

Sara.

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