O brain rot pode estar te fazendo perder dinheiro sem perceber…

Você já ouviu a expressão brain rot

A tradução literal desse termo é “apodrecimento cerebral” ou “cérebro apodrecido”, e por mais estranha que pareça, ela descreve de forma bem precisa um fenômeno da nossa vida contemporanea. Embora o termo tenha surgido em 1854, usado por um autor americano para criticar a desvalorização de ideias complexas, e nos últimos anos ele foi revisitado, dado um novo significado e, em 2024, foi eleito a expressão do ano pelo dicionário Oxford.

Com o aumento do uso de telas e redes sociais, o brain rot acabou se tornando a expressão para explicar o adoecimento do cérebro diante do consumo excessivo de conteúdos superficiais, de fácil digestão e gratificação instantânea. Em outras palavras, estamos treinando nossa mente para funcionar de modo raso.

O Brasil é hoje o segundo país em que as pessoas passam mais tempo diante de uma tela (para termos uma dimensão, o brasileiro passa em média 9,5h/dia em telas e tem 6,5h de sono por noite) e boa parte disso é dedicada a WhatsApp e redes sociais. O resultado? Aos poucos, estamos perdendo habilidades cognitivas importantes simplesmente porque deixamos de exercitar um pensamento mais aprofundado, a reflexão e o raciocínio.

Sintomas invisíveis do brain rot

Os sinais do brain rot costumam ser confundidos com outras condições de saúde mental como burnout por exemplo. Fadiga mental, memória fraca, dificuldade de manter o foco, ansiedade, irritabilidade, procrastinação, perda de interesse em atividades fora da tela, todos esses sintomas podem parecer isolados e serem associados à outras condições da mente, mas frequentemente estão ligados ao uso excessivo das redes.

Sem perceber, trocamos o mundo real por uma versão hiperestimulante e superficial dele. E isso está nos adoecendo.

Quando o cérebro se sobrecarrega

Nosso cérebro não foi feito para lidar com estímulos rápidos, vibrantes e constantes. Essa sobrecarga afeta a forma como nosso cérebro funciona, impactando como vivemos e nos relacionamos.

Talvez já tenha acontecido com você situações como essas… Bom pelo menos comigo aconteceu em diversas ocasiões! Você sai com amigos e eles olham mais para a tela do celular do que para você. Ou ficam mais sorridentes olhando tela do celular que olhando no seu rosto. Te mostram memes, te encaminham, mas ao vivo parecem perder o interesse numa conversa real. Ou tem dificuldade de se manter num único assunto e aprofunda-lo.

Para quem está com consumo excessivo de telas parece até que a vida é mais cinza fora das telas. As decisões, mesmo as menores, parecem exigir mais energia. O brain rot afeta nossa percepção de prazer, de propósito e de sentido.

E o que tudo isso tem a ver com dinheiro?

Mais do que imaginamos.

Quando o cérebro adoece, isso se manifesta em todas as áreas da vida, inclusive nas finanças. O brain rot prejudica nossa capacidade de reflexão e tomada de decisão, e isso impacta diretamente o modo como lidamos com o dinheiro.

Talvez você tenha notado um aumento no seu sentir e experienciar ansiedade financeira nos últimos anos. Ou seja, todas as vezes que você precisa lidar com dinheiro, seu coração acelera, você tende a ficar mais nervoso, a pele fica mais fria e sua mente acelera. E claro, parte disso vem de um mundo mais caro e exigente, mas parte também vem de um cérebro sobrecarregado por estímulos que o impedem de pensar com profundidade.

Fica mais difícil conter compras por impulso, avaliar prós e contras antes de gastar, manter o foco em metas financeiras ou até mesmo pensar com clareza sobre o que realmente precisamos. Afinal, uma mente embotada vai ter uma maior tendência a tomar qualquer decisão para não se sentir angustiada!

Um convite à reflexão

Não falo tudo isso para vitalizarmos redes sociais e uso de celular. Meu alerta vai para reconhecermos que o tempo de tela tem um custo invisível, e talvez o mais alto deles seja o da sua clareza mental, foco e produtividade.

Se você sente mais cansaço, mais dispersão e menos foco do que há cinco anos, talvez seu cérebro esteja pedindo uma pausa.

O primeiro passo é simples: perceber. Perceber quanto tempo você dedica à tela, quanto dela realmente te nutre e quanto apenas te distrai.

Afinal, não é só sua atenção que está sendo drenada. Pode ser também o seu dinheiro.

Se quiser ouvir o episódio que originou esse texto, ele está disponível nas plataformas: Spotify e YouTube

Um abraço,

Sara

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