Desde 2003, a OMS e a Associação Internacional para Prevenção ao Suicídio criaram o Dia internacional de Prevenção ao Suicídio, que acontece todo dia 10 de setembro. Aqui no Brasil, foi criada em 2014 a campanha  Setembro Amarelo pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), como forma de engajar a população na conscientização e prevenção ao suicídio. É necessário que estejamos atentos aos sinais e peçamos ajuda, afinal o Brasil é o 8o país com mais suicídios no mundo.

Por que estou tocando nesse assunto? Por dois motivos. O primeiro é que esse é um assunto tabu que precisa ser trazido para discussão pela sociedade. Não podemos e não devemos varrer esse tema “para debaixo do tapete” por ser delicado. Ao contrário, temos a obrigação de conversarmos sobre suicídio como forma de quebrar preconceitos e trazer mais conscientização para a população.
O segundo motivo é que há uma relação estreita entre crise econômica e aumento da taxa de suicídios. Ano passado, o World Journal of Psychiatry fez uma revisão sistemática em 38 estudos sobre recessão econômica e suicídio e encontrou 31 estudos com uma correlação positiva (ou seja, o aumento de uma causa o aumento da outra) entre recessão econômica e aumento da taxa de suicídios. Segundo um estudo publicado pela British Journal of Psychiatry, houve um aumento de 10.000 novos casos de suicídio nos EUA, Canadá e Europa durante a crise econômica entre 2008 e 2011. Os principais fatores de risco encontrado pelos pesquisadores foram: desemprego, dívidas e perda de casa.
A OMS, em sua cartilha para seus conselheiros, fala de 10 mitos que todos temos que desmistificar sobre o assunto:
  1. As pessoas que falam que querem cometer suicídio não farão mal a si próprias, pois querem chamar a atenção dos outros. Falso. Todas as ameaças de se fazer mal a si mesmos devem ser levadas a sério e tratadas com potencial risco de acontecer;
  2. O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. Falso. Pode parecer impulsivo morrer pelas próprias mãos, mas o suicida costuma fazer um planejamento prévio do que vai fazer e de como vai fazer. Muitos indivíduos dão deixas verbais ou comportamentais, mostrando suas intenções de fazerem mal a si mesmas;
  3. O indivíduo suicida quer mesmo morrer. Falso. Muitas das vezes, ele quer que aquela dor ou sentimento passe;
  4. Quando um indivíduo suicida mostra sinais de melhoria ou depois de uma tentativa, ele está fora de perigo. Falso. Logo depois de uma tentativa, é o período mais delicado da recuperação, pois a pessoa estará fragilizada;
  5. O suicídio é hereditário. Falso. Não há estudos conclusivos sobre isso, porém uma família com histórico de depressão tem um fator maior de risco do que outras sem esse histórico;
  6. Quem comete suicídio tem alguma perturbação mental. Falso. 90% dos indivíduos que cometem suicídio tem histórico de depressão, mas há também casos de pessoas que não foi encontrada nenhuma questão de saúde mental;
  7. Falar sobre suicídio com alguém fará com que a pessoa seja influenciada a atentar contra sua própria vida. Falso. Ah não ser que você esteja falando que o mundo estaria melhor sem aquela pessoa, falar sobre suicídio não aumentará a vontade de alguém fazer mal a si mesmo. Ao contrário! Falar aberta e francamente sobre o assunto, acolhendo e orientando a pessoa a procurar ajuda pode ajudar a salvar uma vida;
  8. O suicídio acontece a um tipo determinado de pessoa. Falso. Não há nenhuma correlação com maior taxa de suicídio entre pessoas com características específicas de raça, cor, sexo, gênero, etc;
  9. Depois de tentar cometer suicídio uma vez, a pessoa aprende a lição e não tenta nunca mais. Falso. Na verdade, as tentativas de suicídio são um preditor crucial do suicídio;
  10. Crianças não cometem suicídios, pois não sabem o que é morte. Falso. Está cada vez mais comum ver crianças que tiram suas próprias vidas por não saberem como lidar com as pressões da sociedade. Precisamos ter cuidado com nossas crianças.
Nosso país é conhecido no mundo por ser alegre, festeiro, “para cima”. Esse aspecto valorizado em demasia dificulta conscientização e prevenção não só do suicídio, mas também de todos os problemas de saúde mental. Precisamos cuidar de nós mesmos com o mesmo carinho e atenção que cuidamos das nossas empresas.
Se você sente que sua dor é grande demais para suportar e começa a achar que a morte é uma saída viável, converse com alguém. Se quiser, me envie uma mensagem. Se achar mais seguro, procure o CVV http://www.cvv.org.br/. Você não precisa passar por isso sozinho.

Sobre o autor Sara Matos

Psicoterapeuta e empreendedora.

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