Escrevi semana passada sobre propósito e negócios, afirmando que próspero é aquele que encontrou um propósito e fez dele um negócio. Hoje, eu entendo isso não só com a mente, mas com o corpo todo, afinal sou a prova viva que é possível ser feliz fazendo o que se ama e ganhando dinheiro honesto com isso. Mas nem sempre foi assim… Até alguns meses atrás eu me “chicoteava” internamente com esse sentimento porque me perguntava se eu não estava “colocando preço na minha paixão de vida”. Vou contar um pouco sobre meu caminhar nesse assunto dinheiro, felicidade e capitalismo consciente.

Quando pensava em dinheiro, a primeira ideia que me vinha a mente era: ele proporciona bem-estar afinal podemos adquirir bens e serviços que tornam nossa vida mais confortável, mas também é a causa de tantos males no mundo. Enxergamos o dinheiro como anjo e demônio ao mesmo tempo. Meio que um “mal necessário”. Talvez você também ache isso, e é um pensamento válido já que é isso que vemos o tempo todo. A mídia nos induz a isso, nossos vizinhos, todas as pessoas ao nosso redor e nós mesmos estamos o tempo todo buscando o conforto e bem-estar que o dinheiro proporciona, mas também vemos o dinheiro financiando guerras, trabalho escravo e etc. Maslow falou um pouco sobre isso quando afirmou que a base da pirâmide, a primeira necessidade do ser humano é a de sobrevivência. Dinheiro compra comida, né?! Depois, precisamos de conforto e segurança. Dinheiro também compra uma boa casa, um bom carro… Então, quanto mais adquirimos, mais seguros nos sentimos e maior é o nosso bem-estar. Depois de um tempo, passamos a acreditar que quanto mais dinheiro temos, mais felizes seremos. Parece um pensamento lógico coerente, mas não é real. Uma pesquisa feita há alguns anos atrás encontrou um dado interessante: uma vez que a renda sobre acima da linha da pobreza, mais crescimento de renda não está necessariamente associado ao aumento de bem-estar (leia aqui). Ou seja, seu dinheiro e poder aquisitivo podem crescer 100% ao ano, mas seu bem-estar não acompanha esse crescimento e você não é duas vezes mais feliz só por causa disso.
Então, meu raciocínio automático era “se [aumento de] dinheiro não traz [aumento de] felicidade [na mesma proporção], como é que fica a questão de eu cobrar por fazer algo que eu amo? Será que fazer algo que me faz feliz significa que estou colocando um preço na minha felicidade? Quanto vale minha felicidade?” (sim, gente… sou exagerada nesse nível!). Ah, o capitalismo… Aquele sistema que corrobora a ideia de ”quanto mais, melhor… custe o que custar!”. E se custar o amor? Vale a pena! E se custar horas ao lado da sua família? Vale a pena! E se custar um planeta todinho? Opa! Tudo vale a pena se a grana não é pequena, certo? Bom, se sua resposta para isso é “certo!”, tudo bem… mas a minha é ERRADO! Eu comecei a ter raiva de dinheiro, de capitalismo, de fazer o que eu amava e receber por isso. Ainda bem que abri os olhos bem antes de chegar na base da pirâmide de Maslow. Comecei a entrar em contato com um termo novo que, por enquanto, está sendo chamado de capitalismo consciente. A partir desse olhar de ampliação da consciência em cima do capitalismo está se chegando a conclusão que é sim possível ter lucros sem estrangular seus funcionários, seus fornecedores, a sociedade e o meio ambiente. Começa-se a entender que o lucro é um dos objetivos de uma empresa, não o principal ou até mesmo o único como se pensava (e ainda se pensa, né… vamos ser honestos!). Bom, comecei a respirar mais aliviada e ver uma luz no fim do túnel…
Toda essa conversa interna que eu tentei resumir em algumas linhas aconteceu ao longo de quase um ano. Na verdade, ela é constante e continua até hoje… Se eu rescrever esse texto daqui a mês, outros elementos serão inseridos (ou retirados!) na equação e ela ficará mais adaptada para minha vida. O fato é que se eu colocar todas essas palavras no liqüidificador e condensar mais ainda, o que sinto hoje sobre dinheiro, felicidade e capitalismo é: dinheiro não é um mal necessário… Ele é uma forma de me realizar materialmente em um mundo também material e está tudo bem com isso. Se eu quiser realmente ser feliz e próspera fazendo algo, o dinheiro vem como uma consequência disso. Sem necessidade de maximização de lucros a todo custo… Sem necessidade de extrair das pessoas e do ambiente mais do que necessito para realizar meu propósito. Entendendo meu valor, investindo no meu crescimento e no crescimento daqueles que estão ao meu redor.
Eu sou romântica. Não tenho vergonha de admitir isso. Eu abri mão de uma suposta estabilidade financeira em um emprego formal, mas que maltratava meu corpo físico porque me exigia muito mais do que eu podia dar, para viver um dia de cada vez no empreendedorismo. E estou fazendo as pazes com o dinheiro, tirando ele do lugar ruim que eu achei que ele merecia, para um lugar de “materializador de propósito”, usando ele para o bem, tanto meu quanto daqueles que me cercam.

Sobre o autor Sara Matos

Psicoterapeuta e empreendedora.

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