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	<title>Sara Matos</title>
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	<title>Sara Matos</title>
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		<title>Quando um perfume é mais que um perfume</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2026/06/05/quando-um-perfume-e-mais-que-um-perfume/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 07:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[compra por impulso]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu sou muito chata com cheiros. Desde adolescente, eu tenho rinite alérgica crônica e cheiros costumam ser gatilho para uma crise de espirros interminável. Por isso, em 2015, eu aboli perfumes da minha vida. Ou assim eu pensava. 2015 foi o ano que tudo mudou. Meu marido e eu fomos morar juntos. Eu fiz minha&#8230;]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Eu sou muito chata com cheiros. Desde adolescente, eu tenho rinite alérgica crônica e cheiros costumam ser gatilho para uma crise de espirros interminável. Por isso, em 2015, eu aboli perfumes da minha vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou assim eu pensava.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2015 foi o ano que tudo mudou. Meu marido e eu fomos morar juntos. Eu fiz minha segunda transição de carreira, agora do marketing para a psicologia, do corporativo para a vida de autônoma. Já contei essa história tantas vezes que acho que consigo dize-la de trás para frente. Mas nem só de grandes acontecimentos se vive, os pequenos também falam muito sobre nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele mesmo ano, eu comecei cursos de cosméticos naturais e aromaterapia, já quis abrir minha própria empresa de cosméticos naturais. Fiz um curso de empreendedorismo e, dele, nasceu a Semente da Vida (existe uma ‘jovem mística’ que habita em mim e respira por aparelhos hoje em dia). Meu sonho da época era sair por completo do uso de produtos altamente industrializados. Consegui vender algumas unidades de cremes, perfumes personalizados, desodorantes e até sabonetes. Até hoje, eu ainda faço óleos de massagem, mas não vendo, não troco, não dou. É apenas para uso pessoal e intransferível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa disso, parei com perfumes. E desodorantes também, mas depois e voltei a usar. Desculpa, jovem mística que me habita, foi demais para mim, não deu. E, olha, de verdade eu não senti falta. Do perfume, não do desodorante! Estive todos esses anos sem perfume, até mês passado, quando uma vontade irresistível de usar perfume de novo entrou na minha cabeça e só saiu quando comprei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alô compra por impulso! Mil detox de compras não eliminarão esse processo da minha mente (nem da sua!), nem que a vaca tussa, e estou em paz com isso. Aprendi a usar como ferramenta de autoconhecimento. Pois bem, fui lá e comprei. Um barato, que é pro impulso ficar feliz e eu não me estropiar toda pagando caro num treco que nem sei se vou gostar. É perfume, né?! É aquele momento que alguém vai dizer&nbsp;<em>“nossa, esse cheiro me lembra fulana!”</em>&nbsp;Eu tinha um “amigo” (sim, com aspas para não entregar demais a vida… meu marido lê isso aqui!) uns 20 anos atrás que adorava se encher de perfume e depois ouvir as menininhas que ele pegava dizerem que o cheiro dele tinha ficado na roupa delas. Vergonha? Passamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comprei. Cara de pau que sou, comprei por impulso mesmo. Está autorizado você me julgar. Escrevi tudo isso para te dizer que, quando fui usar, eu entendi porque parei e entendi porque voltei. Não parei pela rinite, não era um ato de resistência contra corporações cheias de produtos químicos, não era por convicção de que só presta se for natural, nem porque todo mundo tinha um cheiro igual ao meu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era por entender a quem eu estava agradando quando usava perfume, e quem eu era.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cheiros são cruciais na natureza. Talvez você não saiba, mas o olfato é um dos 5 sentidos que está completamente maduro ao nascermos. Não é o paladar, não é a visão, é o olfato. Porque?! Porque a natureza é uma mulher caprichosa e ardilosa, e decidiu que a primeira forma de reconhecermos nossa mãe é pelo cheiro: o colostro tem um cheiro semelhante ao líquido amniótico. Animais podem ser visualmente semelhantes entre si, mas o cheiro não é. Cheiro é identidade na natureza. É o olfato quem nos informa que podemos relaxar porque aquela mulher é nossa mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas voltando ao caso do perfume por impulso. Senti aquele desejo irresistível de comprar um perfume. Cheiros são formas de identidade. Durante os últimos 10 anos, minha identidade estava se formando. Ou melhor, se encontrando, sendo reconhecida por mim. Sentir meu cheiro estava significando, sutilmente, diferenciar quem eu era.&nbsp;<strong>Eu usava perfume para agradar o outro e me perdia de mim. Eu parei de usar perfume para me encontrar mesmo que significasse a rejeição do outro.</strong>&nbsp;E percebi que quando pus perfume no meu corpo, uma onda de prazer passou por ele. Eu agrado a mim mesma usando um cheiro que me traz alegria. Não me perco de mim porque estou cheirando diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sei quem sou, num nível mais profundo e difícil de colocar em palavras, e agora estava pronta para assumir isso. Um perfume não muda nada, só amplia minha autoestima e meu autovalor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você leu até aqui e pensou&nbsp;<em>“essa mulher perde muito tempo de sua própria vida pensando nessas besteiras… um perfume é só um perfume, sua doida!”</em>, eu entendo você. É verdade, um perfume realmente é só um perfume para 99% das pessoas. E era pra mim também até mês passado. Hoje, um perfume me trouxe à consciência um processo que demorou 11 anos para amadurecer e se completar, e eu não estava nem procurando isso ativamente. Não fiquei pensando por 11 anos sobre o perfume que não usava mais. Nem sobre o que isso significava para minha identidade. Não dormia me perguntando&nbsp;<em>“mas porque eu não uso perfume, gente?!”</em>&nbsp;ou acordava decidida a encontrar essa resposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só aconteceu. Eu segui o impulso, não gastei mais do que podia e descobri um pedaço de mim que desconhecia. Às vezes,&nbsp;<strong>a gente acha que comprou só um simples objeto, para só depois perceber que o corpo já estava ciente de uma mudança interna que ainda não tinha sido colocada em palavras.</strong>&nbsp;Nossa consciência não sabe de tudo o que acontece dentro de nós; muitas vezes&nbsp;<strong>a consciência leva anos para alcançar uma transformação que já está sendo vivida no corpo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se eu disser para você que é possível eliminar completamente compras por impulso, eu vou estar não apenas mentindo, mas te fazendo uma falsa promessa. O processo psicológico das compras por impulso não obedece à nossa força de vontade, porque ele está sob o comando daquela parte de nós que só revela seus rastros, nunca o que anda tramando, chamada inconsciente. E quando o inconsciente dispara uma compra por impulso, ele está no pé do seu ouvido te dizendo&nbsp;<em>“você precisa descobrir isso sobre você”</em>&nbsp;(ele é tipo sua mãe dizendo “leva o casaco que pode chover”). Descobrir a qualidade de sua autoestima, ou do quão boa está sua responsabilidade com sua vida adulta. Ou qualquer outra coisa que ele considere importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não estou dizendo para você sair comprando impulsivamente tudo o que vem de gatilho interno. Não vá dizer por aí que leu no texto da psicóloga que é maravilhoso comprar tudo o que quiser para se conhecer profundamente. Mas eu te digo que suas compras revelam partes suas que nem sempre estão conscientes, e isso também é processo de autoconhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim, você pode descobrir que uma compra pode ser menos sobre ter um objeto para si, e muito sobre quem você está se tornando, ou quais partes de seu interior precisam de sua atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um abraço,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara Matos</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Você viveria feliz se morasse na sua cabeça?</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2026/05/26/voce-viveria-feliz-se-morasse-na-sua-cabeca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 13:57:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Trauma financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[Vamos começar essa conversa com uma imagem… Se existisse uma tela que mostrasse para o mundo como está sua cabeça hoje, o que ela mostraria? Uma mente bagunçada e confusa? Acumuladora? Caótica? É difícil para a maioria de nós reconhecer que a vida de dentro e a vida de fora não se parecem em nada&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vamos começar essa conversa com uma imagem… Se existisse uma tela que mostrasse para o mundo como está sua cabeça hoje, o que ela mostraria? Uma mente bagunçada e confusa? Acumuladora? Caótica?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É difícil para a maioria de nós reconhecer que a vida de dentro e a vida de fora não se parecem em nada uma com a outra. Por fora, a agenda está com compromissos encaixados, as planilhas em dia, tudo tem seu lugar. Por dentro, está tudo tão bagunçado e fora do lugar que é difícil se sentir relaxada, saber quem se é de verdade, ou até mesmo se encontrar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma diferença importante entre uma vida exterior organizada e uma mente organizada. Quando olhamos de fora, parece que está tudo funcionando. Você vê a rotina acontecendo, os compromissos sendo cumpridos, as responsabilidades sendo resolvidas. Você acorda cedo, responde mensagens, paga contas, trabalha, produz, continua funcionando e sendo funcional. Mas tem algo sobre sua vida que só você sabe: a forma como você vive dentro de si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível que você ache que é besteira olhar para isso. Se só você sabe que está confuso e caótico por dentro, e por fora está tudo funcionando, então está tudo bem, certo? Não necessariamente. A realidade é que rotineiramente aprendemos a funcionar mesmo emocionalmente exaustas (alô, mulheres!). Seguimos executando de forma prática atividades ao nosso redor mesmo quando a mente está precisando de um descanso real. Bom, quero chamar sua atenção para algo que considero importante: depois de um tempo vivendo em estado acelerado e caótico, esse estado interno começa a representar quem você é. Ansiedade passa a ser chamada de traço de personalidade e você diz ”é que sou ansiosa, sabe?!”. O excesso de preocupação vira “meu jeito”. Uma hipervigilância se torna autorresponsabilidade exagerada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só que a mente humana tem uma tendência protetiva que, ao longo do tempo, pode se tornar prejudicial: ela transforma adaptação em hábito. Quando um estado emocional se repete durante tempo suficiente, começamos a acreditar que ele sempre esteve ali, como se nossa vida nunca tivesse sido diferente daquilo, como se fôssemos assim desde que nascemos. Normalizar isso tem feito tantas pessoas viverem sem perceber o quanto estão cansadas internamente. Não porque estejam bem, mas porque desaprenderam a reconhecer o desconforto e a necessidade de descanso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdade é que nós não experimentamos a vida de forma neutra. O mundo não chega até nós puro, intacto, objetivo e idêntico. Um mesmo evento não se apresenta ou é registrado por mim e por você do mesmo jeito. Antes de qualquer coisa, ele passa pela forma como fomos emocionalmente organizados não apenas na base da vida, a infância, mas também ao longo da vida toda. Passa pelas nossas experiências, pelos medos que acumulamos, pelos ambientes que atravessamos, pelas pessoas que nos relacionamos, pelas crenças que fomos construindo sem perceber. É por isso que duas pessoas podem viver situações muito parecidas e ainda assim sentir coisas completamente diferentes diante delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando alguém vive por muito tempo em estado de tensão interna, até acontecimentos pequenos começam a ganhar um peso desproporcional. Decidir até onde vai comer fica cansativo. Resolver problemas simples como a senha do banco que travou consome energia demais. A cabeça parece viver numa espiral sem encontrar soluções para pequenos desafios que vivemos, e se forem desafios grandes, nem vem que não tem! O descanso deixa de produzir descanso real. O corpo até para, você tenta resetar, tirar um “me time”, passa uns dias para colocar os pés no mar, mas a mente continua funcionando como se ainda precisasse sobreviver ao leão invisível que está à espreita, quase para te atacar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta mais óbvia que encontro em consultório para organizar o caos interno é a que continua agravando o problema: tentamos resolver o caos interno aumentando o controle externo. A pessoa acredita que, se conseguir organizar melhor a rotina, ter uma lista de tarefas clara, metas específicas, produzir mais, encaixar o descanso e dar conta de tudo conforme a agenda, acha que o resultado final será finalmente a paz na cabeça. Só que uma bagunça emocional não se resolve através de eficiência. Algumas dores internas continuam existindo mesmo quando tudo aparentemente está funcionando do lado de fora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só um pouco de cultura pop para dar uma quebrada aqui e denunciar minha idade (e a sua também se você conhecer a musica de cor como eu)… Britney Spears bem que fez uma música sobre isso, Lucky:&nbsp;<em>“she is so lucky/ she is a star/ but she cries / in her lonely heart thinking/ if there is nothing missing in my life / then why do these tears come at night?” // “ela é tão sortuda/ ela é uma estrela/ mas ela chora tanto por dentro pensando/ se não tem nada faltando na minha vida/ então porque essas lágrimas vem à noite?”&nbsp;</em>Pronto. Fim da cultura pop.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por falar em cultura… O que mais temos dificuldade de mudar, inclusive porque nossa cultura não nos ensina isso coletivamente, é o de parar de resolver nossos estados emocionais com mais eficiência. Estudar mais não vai te dar calma na hora da prova do concurso. Preencher mais uma planilha não vai te ajudar a controlar a ansiedade financeira. Há um limite muito pequeno no qual atitudes de controle do mundo externo alcançam e modificam de forma concreta nossos estados interiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso conseguir existir sem estar em estado permanente de defesa contra a vida. E quando eu digo “vida”, entenda como tudo aquilo que nos torna humanos, ou seja, emoções, relações, desejos, paixões, corpo físico e suas sensações.&nbsp;<strong>Lista de tarefas não é vida, ok?!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a neurociência passou a estudar com mais profundidade como experiências emocionais moldam a forma como percebemos o mundo e reagimos a ele. Hoje já se sabe que o cérebro possui uma capacidade contínua de transformação, a neuroplasticidade. Isso significa que padrões emocionais não são estruturas fixas (ufa!). Eles podem mudar ao longo da vida. Novas formas de interpretar experiências podem ser construídas. Reações automáticas podem perder força e abrir espaço para novos jeitos de lidar com a vida. A maneira como alguém vive emocionalmente hoje não precisa ser exatamente a mesma daqui a alguns anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, se você quiser, não será a mesma. Até porque ninguém precisa ser como a Gabriela da música da Gal Costa:&nbsp;<em>“eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim!”</em>&nbsp;Mas é aqui que se mostra a parte mais difícil de se operar essa mudança e aproveitar a plasticidade do nosso cérebro: mudança emocional raramente acontece de forma passiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até porque crescer emocionalmente não é apenas adquirir informação sobre si mesmo. Isso é bem pouco, quase nada. É, na verdade, começar a perceber os próprios padrões enquanto eles acontecem. É reconhecer o quanto algumas formas de pensar, reagir e viver foram criadas para sobrevivência, mesmo que hoje estejam produzindo sofrimento. Esse processo exige participação, presença, atuação consciente. Exige disposição para olhar para dentro sem fugir imediatamente para mais uma distração, mais uma tarefa, mais uma tentativa de manter tudo sob controle, só para evitar olhar o desconforto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada no processo de organização interna aponta para uma perfeição emocional, com absolutamente tudo nos seus devidos lugares. Uma mente saudável não é uma mente que nunca se sente bagunçada quando uma dificuldade se apresenta, quando se sente rejeitada porque não recebeu um convite para uma festa de um amigo, quando fica insegura com o feedback marcado pelo chefe. É uma mente onde essas e outras emoções, leves ou densas, conseguem existir sem dominar completamente a experiência de viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver é sobre atravessar momentos. Emoções são como a temperatura dos momentos, não sobre quem você é ou sobre o que você pode ou não fazer. Regular melhor a temperatura e viver uma vida interior rica não é sobre ser alguém “melhor”, “nobre”, “superior” ou “evoluído” (sim, todas essas palavras com aspas, porque elas não dizem nada sobre o que vivemos, nem sobre quem somos) por eliminar aquilo que não sabemos atravessar, e sim sobre ter uma mente que atravessa a brisa leve da alegria de verão com tanta segurança quanto atravessa o frio do inverno da tristeza de uma perda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando existe mais estabilidade dentro da gente, a vida do lado de fora também muda de textura. Os problemas não desaparecem magicamente. Olha, sendo muito honesta, eles nunca desaparecem MESMO. O mundo continua difícil em muitos momentos. Mas já não parece necessário atravessar tudo em estado permanente de guerra interna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vida interior organizada é uma vida em que todas as temperaturas emocionais, do inverno ao verão interior, podem ser atravessadas sem que você perca de vista quem você é.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gente, fazer terapia é legal, eu JURO!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um abraço,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sobre assédio e violência no trabalho.</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2026/03/10/sobre-assedio-e-violencia-no-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 15:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[assédio no trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[assédio sexual]]></category>
		<category><![CDATA[clt]]></category>
		<category><![CDATA[mulher no trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[terapia on-line adulto]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[violencia no trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[Um tempo atrás, assisti um episódio da série Industry. Nele, Harper é uma mulher negra, jovem, e seu chefe diz que quer conversar em particular com ela sobre trabalho. Eles entram na sala e ele imediatamente tranca ambos dentro. A conversa é ameaçadora, em tom agressivo na voz, nos gestos e no uso de palavras,&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um tempo atrás, assisti um episódio da série Industry. Nele, Harper é uma mulher negra, jovem, e seu chefe diz que quer conversar em particular com ela sobre trabalho. Eles entram na sala e ele imediatamente tranca ambos dentro. A conversa é ameaçadora, em tom agressivo na voz, nos gestos e no uso de palavras, e ela fica encurralada. Eu me senti tremendamente incomodada com a cena toda. Não apenas porque é angustiante, mas por saber que é o que acontece todos os dias em muitas empresas. Poucas de nós sabem identificar abusos e/ou violência psicológica no ambiente corporativo quando acontece, e um número menor ainda sabe como lidar e o que fazer ao passar por um.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O QUE É ASSÉDIO E VIOLÊNCIA NO TRABALHO?</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Assédio é toda forma de exposição de um indivíduo a situações constrangedoras, humilhantes, difamatórias e/ou intimidatórias feitas de forma repetitiva, com o intuito de desestabilizar emocionalmente o indivíduo que sofre o assédio, degradar o ambiente de trabalho ou obter favores sexuais, em troca de benefícios corporativos ou até mesmo manutenção do vínculo empregatício. Ele pode ser moral, quando a violência desestrutura emocional ou psicologicamente um indivíduo, e pode ser sexual, quando a violência força um indivíduo a conceder favores sexuais usando abordagens indesejadas, ocorrendo de forma vertical (superior/subordinado) ou horizontal (entre colegas). E, apesar de ainda não ser abordado de forma mais ampla e com a seriedade que o tema exige, também acontece entre cliente/funcionário, sendo responsabilidade da empresa garantir que seus funcionários tenham um ambiente de trabalho protegido de assédio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo e qualquer assédio é uma forma de violência no trabalho e, desde 2023, está previsto em lei, podendo dar em 1 a 2 anos de detenção. Nos últimos 5 anos, foram mais de 450mil casos de assédio moral julgados pelo Tribunal do Trabalho. https://www.cnj.jus.br/em-cinco-anos-justica-do-trabalho-julgou-mais-de-450-mil-casos-de-assedio-moral/</p>



<h4 class="wp-block-heading">“EU PAGO SEU SALÁRIO&#8230;”</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Assédio não é um ato descontrolado, impensado, feito no calor de uma situação ou emoção, mas uma atitude deliberada com a intenção de desestabilizar alguém e estabelecer e/ou manter uma relação de poder, de dominação hierárquica. São ataques pessoais (ao gênero, à aparência, à raça, à orientação sexual, à cultura, à orientação religiosa), intencionais e habituais que fazem de uma simples interação ou “brincadeira” um assédio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dinheiro (salário/faturamento) costuma ser usado como justificativa para manter um assédio ativo. É comum frases como “eu preciso do emprego”, “esse cliente representa uma parte alta do faturamento”, “eu pago seu salário” dentre outras serem ditas para silenciar qualquer tentativa de defesa por parte do assediado.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“TODO MUNDO SABE, NINGUÉM FAZ NADA”&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, a consultoria para equidade de gênero Think Eva e o LinkedIn refizeram uma pesquisa sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, e trouxeram excelentes insights sobre o tema. https://thinkeva.com.br/wp-content/uploads/2025/09/TSA_2025_Eva_Linkedin.pdf</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a pesquisa, casos de assédio tem sido testemunhados quase que diariamente dentro das empresas. Mulheres, principalmente as negras e pardas que recebem até 5 salários mínimos de remuneração, são as mais atingidas, mas casos de assédio estão presentes em todas as camadas hierárquicas. Apesar da grande maioria buscar suporte quando atravessa uma situação de assédio, esse suporte tem sido encontrado mais fora das empresas que dentro, provavelmente por medo da impunidade e/ou o medo da retaliação (demissões, ser colocada na “geladeira”, etc).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Empresas ainda patinam para proteger seus funcionários da violência no trabalho. Muitas não tem espaço seguro para formalização de denuncias, não tem um manual/cartilha que oriente seus funcionários sobre como identificar e agir em casos de assédio, ou não tem uma área de RH preparada para lidar com assédios de qualquer tipo.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“NUNCA FALEI COM NINGUÉM SOBRE ISSO&#8230;”</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa põe uma lupa num assunto que segue ainda como tabu. Entre 80% e 90% dos entrevistados sabe o que é assédio, mas metade deles não busca mais informações ou conversa sobre o assunto. Quem busca conversar sobre isso, o faz fora da empresa&#8230; é quando chegam nas sessões de terapia para elaborar o que acontece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando começam a trazer o assunto para sessão, percebo ser comum que o assédio esteja acontecendo há meses até que a pessoa assediada compreenda que o desconforto que ela sente de forma frequente diante de uma situação, de determinado colega de trabalho, do chefe ou de cliente não é frescura, sensibilidade excessiva, exagero ou até mesmo birra (palavras delas). Há uma demora em se identificar uma situação de assédio, por mais informadas que elas sejam. Mulheres tendem a se sentir culpadas pelo assédio que sofrem, vergonha de passarem por isso, se questionam com mais frequencia se não deveriam relevar a situação, se elas fizeram algo para provocar a situação, se não estão exagerando na reação, se alguém acreditaria nelas se contassem o que viveram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, por mais que a pesquisa afirme que há uma maior consciência, conhecimento e capacidade de identificar um assédio quando ocorre, que dados afirmem que há um aumento no número de processos trabalhistas sobre assédio, ainda percebo no microcosmo do ambiente terapêutico uma lentidão do reconhecimento subjetivo e validação interna do assédio, já que muitas formas de assédio são passivo-agressivas, ou seja, disfarçadas de elogios, de críticas construtivas ou de brincadeiras.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“MEU CHEFE ME ACOMPANHOU ATÉ O METRÔ E, LÁ, ME PEDIU UM BEIJO”&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Há sinais clássicos envolvendo assédio moral ou sexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na presença de assédio sexual, existem sinais mais sutis como olhares lascivos, brincadeiras de cunho sexual, elogios de ordem não profissional e comentários sobre o corpo, e também sinais mais constrangedores como contato físico não solicitado, mensagens de cunho sexual, solicitação de favores sexuais ou pressão para encontros, sejam eles presenciais ou on-line.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em casos de assédio moral, sinais comuns que eles estão presentes são: humilhação pública ou brincadeiras indesejadas realizadas em frente a colegas, gritos, xingamentos e explosões de raiva constantes por parte de um superior hierárquico, ameaças de demissão ou chantagem no trabalho, prejudicar ou perseguir uma pessoa, dar apelidos ofensivo e indesejados de forma constante, fazer comentários inadequados sobre aparência, gênero, origem ou cultura de uma pessoa, cobranças excessivas e injustificadas por um superior hierárquico e minimizar problemas relacionados ao assédio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você trabalha em uma empresa, vai perceber que todos esses sinais são vistos diariamente no ambiente de trabalho. Talvez você tenha passado por qualquer situação dessas e não a tenha compreendido como assédio, afinal tudo isso costuma ser normalizado no corporativo. Acontece há anos, mas agora estamos dando nome para isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E mesmo reconhecendo e nomeando todos esses sinais como assédio, é comum eu encontrar mulheres que levam muito tempo para confirmar internamente se o que está acontecendo é ou não assédio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu costumo orientar clientes a validarem seus sentimentos internamente, usando suas próprias reações corporais como bússola. O corpo mostra em tempo real se uma situação vivida é considerada ameaçadora à integridade ou não. Em sessão, pergunto: se eu te digo que você precisa interagir novamente com essa pessoa, o que você sente fisica e/ou emocionalmente? Se há violência presente, as respostas comuns são: medo, angústia, raiva, mãos frias, coração acelerado, dificuldade para relaxar mesmo na ausência dessa pessoa, dificuldade em dormir um dia antes de interagir com a pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a justiça brasileira, só se configura assédio passível de denúncia e processo se as situações acima acontecerem de forma constante. Casos pontuais ou isolados são tratados com menos importancia para a justiça, mas não para o corpo e saúde mental da mulher. Um único episódio pode desencadear questões de saúde mental que tomam um tempo para serem restaurados.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“EU ME CULPO PORQUE NÃO CONSEGUI REAGIR.”&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho é parte importante da vida. É nele que recebemos um salário que nos permite fazer manutenção de nossa vida. É dele que vem nossa subsistência, nosso sustento. Por isso mesmo, precisa ser um ambiente que nos dê segurança. Quando de alguma forma ele é ameaçado (como em casos de assédio), vamos reagir com as 4 principais defesas que estão presentes em nosso corpo: agradar em excesso, esquiva, luta e congelamento. Todas essas defesas são biológicas, automáticas, não passam pelo crivo da consciência e, portanto, não podem ser controladas pela força da vontade. Elas apenas acontecem sem que você tenha controle sobre elas e visam garantir sua sobrevivência em ambientes hostis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira delas é o agradar extremo. Chamamos esse estado de “people pleaser”, que é quando alguém quer excessivamente agradar a ponto de colocar o bem estar do outro acima do seu, resultando na dificuldade em dar limites e na evitação de conflito. Costuma ser o momento em que a pessoa que foi assediada repete para si mesma “ele tem razão, essa roupa tira a atenção dos homens no trabalho”, “eu errei e mereci seus berros e a humilhação”, “se eu não fizer isso, vou perder meu emprego”. Ela tende a evitar conflitos, a dizer “sim” quando deseja dizer “não”, assumir responsabilidades que não lhe cabem, e tem muito medo de ser rejeitada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra defesa usada com frequencia é a esquiva, que tem desde reações mais sutis como evitar contato com o colega assediador, pedir para alguém resolver a situação para ela, ou pode chegar à reações mais intensas de fuga, como pedir demissão, faltar trabalho e reuniões. Tudo para evitar o contato com o assediador/situação e o confronto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terceira defesa é o confronto direto. O corpo sente raiva, quer gritar e brigar pela sua segurança, confrontar o assediador. Essa defesa costuma ser a menos utilizada, já que cai em e reforça o estereótipo da mulher raivosa (”nossa&#8230; você não está exagerando na reação? foi só um elogio!”) no ambiente de trabalho, dando margem para que haja retaliação direta tanto do assediador como da empresa, podendo chegar a demissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A última defesa do corpo para casos de assédio é o congelamento ou paralisia das reações. Diante de uma situação em que aquela que sofre assédio se sente ameaçada, sem a possibilidade de agradar, de se esquivar da situação ou de lutar (como no caso da cena na série Industry), o corpo reduz suas funções vitais aos máximo que conseguir, resultando em um estado de congelamento e paralisia. É uma reação biológica automática, impossível de ser controlada pela força de vontade da consciência, e que acaba resultando em pensamentos de culpa e vergonha. Frases como: “me culpo pelo que aconteceu porque não consegui reagir” ou “eu deixei acontecer&#8230;” reforçam na psique/mente da mulher que ela é, no mínimo, corresponsável pela situação de violência que viveu, o que não é verdade.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“NÃO ERA MINHA INTENÇÃO”</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Assediadores tem bastante dificuldade de assumir a responsabilidade pelos seus atos, se valendo de uma possível não intenção no assédio ou culpabilizando suas vítimas por atos que são seus próprios. Acabam usando a paralisia da reação como justificativa para sua suposta inocência: “se ela não quisesse, ela teria dito”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante salientar que nada na reação de uma mulher justifica outra pessoa de continuar agindo de forma violenta ou ameaçadora. Reações fisiológicas a uma situação hostil não passam pela decisão consciente e não minimizam o ocorrido. Situações violentas ou hostis, sejam elas pontuais ou frequentes, prejudicam a saúde mental de uma pessoa a ponto de as consequencias serem complexas de serem desfeitas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“NÃO TENHO MAIS VONTADE DE IR TRABALHAR”&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Na pesquisa, foram levantadas as principais reações de um funcionário diante de um assédio: não falar sobre o assunto, trocar de emprego, perda de auto-estima, não querer mais trabalhar, redução de desempenho, solidão, depressão, crises de ansiedade/pânico, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isso é consistente com o que presencio diariamente em sessões no consultório. Dependendo da intensidade e/ou frequencia com que o assédio acontece, bem como o quão rápido o funcionário busca ajuda, pode deixar consequencias para a saúde mental difíceis de se lidar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E se você ainda tem dúvidas se está ou não vivendo assédio, vou te fazer algumas perguntas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a. Você sente palpitação, taquicardia, respiração curta e rápida ou ansiedade ao saber que, quando chegar no trabalho, encontrará um certo colega de trabalho, que vai interagir com um superior específico ou algum cliente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">b. Ao pensar em entrar numa reunião com determinada pessoa, você protela, reagenda, atrasa, marca outros compromissos no mesmo horário, ou faz de tudo para não ir sozinha para a reunião?</p>



<p class="wp-block-paragraph">c. Depois de alguma situação intensa, envolvendo qualquer tipo de “brincadeira”, piada fora de hora, gritos, berros e xingamentos, você tem vontade de mudar de emprego?</p>



<p class="wp-block-paragraph">d. Você sente que se disser “não” para os excessos (ligações fora do horário de trabalho, responder emails de madrugada, trabalhar aos fins-de-semana, etc) você sofrerá represálias, críticas, ou até mesmo poderá perder seu emprego?</p>



<p class="wp-block-paragraph">e. Você pensa em trocar todo o seu guarda-roupas para evitar olhares e comentários sobre sua aparência?</p>



<p class="wp-block-paragraph">f. Você esconde sua cultura, sua orientação sexual, sua religião e/ou qualquer parte da sua identidade por medo de represália, chacota, humilhação?</p>



<p class="wp-block-paragraph">g. Depois de uma situação ou interação com determinada pessoa no ambiente de trabalho, você sentiu que você passou a duvidar mais de si mesma, da sua capacidade e do seu valor próprio?</p>



<p class="wp-block-paragraph">h. Depois de uma situação ou interação com uma pessoa específica você passou a trabalhar muito mais e entrar em burnout porque parece que nada do que você entrega de resultado (entendendo que você cumpre todas as suas metas e que suas metas são factíveis) é o suficiente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">i. Depois de uma situação ou interação com uma pessoa específica no trabalho você sente que a vida perdeu a cor, você perdeu o prazer que sentia de trabalhar e produzir resultados?</p>



<p class="wp-block-paragraph">j. Você sente um agravamento ou piora de sua saúde mental (crises ansiedade, depressão, burnout, crise de pânico e medos sem motivo aparente, podendo chegar em alguns casos na aparição de ideação suicida) depois de interagir com uma pessoa ou passar por uma situação específica no trabalho?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas, está na hora de buscar ajuda.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“EU NÃO SEI O QUE FAZER!”&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Claro que a primeira ação deveria ser deixar o ambiente hostil, mas essa nem sempre é uma possibilidade imediata e/ou desfaz os sintomas de saúde mental que já tenham se instalado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso buscar um profissional de saúde mental capacitado para superar as feridas emocionais e mentais deixadas pela situação. Recuperar auto-estima, se sentir capaz de se proteger e se manter em segurança, voltar a sentir prazer em trabalhar, voltar a acreditar em si mesma, tudo isso é trabalhado em sessão de terapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicional a isso, recomendo às minhas clientes mais dois caminhos: 1. fazer algum tipo de arte marcial ou aulas de defesa pessoal, para que o corpo tenha recursos físicos de autodefesa (se o corpo não reconhece recursos próprios de autodefesa, ele entra mais vezes em estado de congelamento); 2. registrar todas as interações com o assediador, para que você não tenha dúvidas do que está acontecendo e, se for necessário, buscar na justiça reparação de danos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“NO TRABALHO VAI BEM, MAS EM OUTRAS PARTES DA VIDA&#8230;”</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez seu trabalho seja um espaço seguro e livre de assédio, e isso é muito bom! Mas não significa que outras partes da sua vida, ou em outras relações, você se sinta segura por completo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saiba identificar em quais relações a violência é parte da dinâmica da relação e busque ajuda. Relações nas quais você conta uma intimidade sua e o outro usa isso para te machucar ou manipular. Pessoas que minam sua auto-estima para te convencer que você não sobrevive sem elas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer relação ou ambiente que faça você sentir que não há segurança ali, é uma relação ou ambiente que deve ser deixado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E se precisar de ajuda, me mande uma mensagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um abraço,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Chico Buarque mentiu para mim</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2025/11/28/chico-buarque-mentiu-para-mim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 15:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ser mulher]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo menstrual]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[palestra]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[terapia adulto]]></category>
		<category><![CDATA[terapia on-line adulto]]></category>
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					<description><![CDATA[Há muito tempo, desde que me entendo por gente, eu me pergunto sobre o que é ser mulher nesse mundo, o que é feminino, e como viver sendo mulher. Algumas letras de música pareciam descrever tanto minha alma no passado! James Brown com&#160;“this is a man’s world, but it wouldn’t be nothing without a woman&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Há muito tempo, desde que me entendo por gente, eu me pergunto sobre o que é ser mulher nesse mundo, o que é feminino, e como viver sendo mulher. Algumas letras de música pareciam descrever tanto minha alma no passado! James Brown com&nbsp;<em>“this is a man’s world, but it wouldn’t be nothing without a woman or a girl / Esse é o mundo de homens, mas não seria nada sem uma mulher”</em>&nbsp;(<a href="https://www.youtube.com/watch?v=H77fRz1rybs">ouça aqui</a>). Ou Rita Lee com&nbsp;<em>“nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda… meu peito não é de silicone, eu sou mais macho que muito homem!”</em>&nbsp;(<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ioIiO4NccMU">ouça aqui</a>). Beyonce, Pitty, tantas outras cantoras e suas musicas traduziam meus sentimentos tão bem.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>20 e poucos anos, o começo</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Minha pergunta inquietante era: se esse é um mundo de homens, que não seria nada sem uma mulher, como posso ser uma e viver como uma mulher aqui e agora? Já sei… preciso afirmar meu poder num cabo de guerra que não tem a menor chance de chegar ao fim. Estava dado início à era da mulher independente financeiramente, que tinha tudo o que era seu, que não precisava da ajuda de ninguém! Eu devia ter uns 25/26 anos nessa época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi uma revolução na minha vida! Eu tinha meu dinheiro, trabalhava e era reconhecida na minha profissão, portanto achava que era um mulherão (uuhhhhh…). Mas se pelo lado de fora eu estava muito bem desenvolvida socialmente, pelo lado de dentro eu continuava uma menina frágil, insegura, carente. E, por anos, era essa menina quem gastava o dinheiro que a mulher socialmente desenvolvida gerava, e me deixou com uma dívida enorme para pagar.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>30 e poucos anos, e a mentira de Chico</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Com uns 34/35 anos, as perguntas mudaram. Fui numa roda de feminino com algumas amigas (a foto acima é dessa roda) e descobri que, até aquele momento, eu odiava ser mulher nesse mundo. Queria ter nascido homem. Por mim, teria feito cirurgia para retirar meu útero e nunca mais menstruar. Estava cansada desse cabo de guerra, dessa guerrilha dos sexos, dessa afirmação de que só sou mulher na luta. Baixei as armas e comecei a entrar em contato com aquela menina frágil em mim. Como olhei para ela, ouvi sua fragilidade, seu choro, chorei com ela tantas vezes, e minha vida financeira deu uma acalmada. Saí de dívidas, compreendi meu padrão de compras, fiz uma transição de carreira… Tudo mudou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Das perguntas de uma mulher de 35 anos até alguns meses atrás, eu passei a aceitar ser mulher. Numa caminhada de transformação de 10 anos, passei a não mais odiar minha condição, mas agora poderia tolerar ser mulher porque, enfim, não tinha jeito mesmo. Tolerar, na minha caminhada, era algo melhor que rejeitar. Eu avançava nesse processo de me entender como mulher nesse mundo que não fosse na base da guerrilha. Ou ao menos a guerrilha fosse uma opção, não uma obrigatoriedade para existir no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No meio do caminho, eu descobri que o dinheiro é feminino, cíclico, lunar, claro e escuro, emocional. O tolerar ser mulher também deu espaço para enxergar o dinheiro e a vida financeira diferentes, trazendo uma revolução financeira na minha vida. Passei a gastar menos, comprar o que necessitava, fiz (e faço!) detox de compras e passei a investir também.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto escrevo, pensando numa música que poderia me revelar ainda mais, me lembrei de Chique Buarque e sua música Cotidiano:&nbsp;<em>“Todo dia ela faz tudo sempre igual… me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã”.</em>&nbsp;Um pensamento me cortou ao meio e me disse&nbsp;<em>“mentiroso! eu não sou e nunca fui uma mulher assim”</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chique Buarque mentiu para mim. Para todas nós! Essa mulher que faz todo dia sempre igual, com sorrisos pontuais, não existe. Se ela existir, ela é um homem. A mulher do Chico é solar, e só ela é. Porque eu e você somos lunares, e dinheiro também é. O dinheiro é lunar porque somos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Somos lunares</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Deixa eu explicar…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos a tendência de achar que o dinheiro é como o sol: regular, constante, nasce e se põe todos os dias, linear. Todo dia o sol faz tudo sempre igual. Ou seja, esperamos que nós nos comportemos como esse estado solar: de forma linear, regular, pontual, igual todo dia. Colocamos uma meta mensal e exigimos que todos os dias estejamos lidando com o dinheiro do mesmo jeito, de sol a sol.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o dinheiro é lunar, na verdade, porque depende de nossos humores e emoções para ser direcionado. Hoje, se estou de bom humor, posso acreditar que a meta será batida… mas amanhã, estarei com o humor mais abalado e já não mais vou acreditar, e ainda assim seguirei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lidar com o dinheiro depende de compreendermos esse estado que parece ser cíclico como a lua, que demora um tempo para sair de uma fase para outra. Ao invés de ser linear e constante como o sol, ser cíclico e também constante, mas de uma forma diferente…&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading">40 e poucos anos, um possível fim? Ou seria recomeço?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, com 46 anos, inaugurei uma nova fase interna. Essa semana, numa nova roda de mulheres (a foto acima é dessa roda), uma nova pergunta surgiu: será que é possível avançar ainda mais e poder celebrar ser mulher? Será que há uma forma de eu me alegrar com minha mulheridade (womanhood) apenas por ser mulher, não por tolerar algo que é inevitável? É possível dar esse passo além? E como o dinheiro e a vida financeira vai me acompanhar nesse processo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">(vou falar a verdade… desculpem-me as mais pudicas, mas a REAL pergunta na minha cabeça foi: será que posso sentir orgulho da minha vagina e útero tanto quanto um homem sente orgulho do seu pênis? kkkkkkkkkk)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não sei o que virá, que transformação acontecerá ou como vou sair do outro lado, mas com certeza, eu e meu dinheiro nos assumiremos lunares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, se você leu até aqui esse relato da minha caminhada dos últimos 20 anos com o ser mulher e lidar com dinheiro, me transformar e ver minha vida financeira se transformar junto, tenho um convite para te fazer…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dia 06/12, das 9:30 as 10:30, farei uma palestra on-line via Zoom com o tema&nbsp;<em>“Mude sua relação com o dinheiro em 2026!”.</em>&nbsp;Nessa palestra, eu falarei de 3 atitudes que você pode mudar, por dentro, para que sua vida financeira seja mais equilibrada. Será gravada e a gravação ficará disponível por um ano, para ser revisitada sempre que quiser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O link de inscrição está logo aqui abaixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/mude-sua-relacao-com-o-dinheiro-em-2026/G103123534V">INCRIÇÃO &#8211; PALESTRA</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente se vê dia 06 de dezembro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um beijo,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eu achava que era procrastinação, mas era cérebro &#8220;apodrecido&#8221;</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2025/10/30/eu-achava-que-era-procrastinacao-mas-era-cerebro-apodrecido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 15:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[renda extra]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[Vício em telas e&#160;brain rot&#160;são muito mais comuns do que imaginamos. Seus efeitos parecem estar visíveis, mas acho que estamos em negação. Bom, eu estava, e paguei um preço alto por isso. Quero te contar minha história com telas, consumo de conteúdos em redes sociais, meus sintomas e o caminho que eu ainda estou construindo&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vício em telas e&nbsp;<em>brain rot</em>&nbsp;são muito mais comuns do que imaginamos. Seus efeitos parecem estar visíveis, mas acho que estamos em negação. Bom, eu estava, e paguei um preço alto por isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quero te contar minha história com telas, consumo de conteúdos em redes sociais, meus sintomas e o caminho que eu ainda estou construindo para mudar essa relação. Sim, ainda estou construindo, todos os dias um pouco, mas já vejo resultados visíveis. Quem sabe minha história seja um empurrão para você também rever sua relação com redes sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como começou</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Eu já venho há 2 anos fazendo detox de compras por impulso nos últimos meses do ano. Em 2024, no meio do detox de compras, eu tive um “clarão mental” (meu jeito de falar que tive um insight) que esse detox deveria ser estendido ao uso de redes sociais. Quando fui avaliar meu tempo de tela, vi que estava ficando entre 3,5 a 4h/dia em redes sociais, só rolando feed. Mesmo sendo bem mais baixo que a média do brasileiro, o segundo maior consumo mundial de telas com 9,5h/dia, eu tomei um susto porque achava que não ficava mais que uma hora. Eu não sabia que essas horas estavam estava me prejudicando tanto, mas achei por bem incluir um detox de redes. O resultado me impressionou…</p>



<h2 class="wp-block-heading">Meus sintomas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É muito curioso como os sintomas foram aparecendo, se instalando e eu fui normalizando tudo. Eu amo ler livros, só&nbsp;<strong>n</strong><em><strong>ão conseguia mais sentar para ler um livro</strong></em>&nbsp;sem ter que ficar relendo a mesma página para entender o que estava escrito, ou alternando o tempo todo entre o livro e a tela do celular. Eu passei a&nbsp;<em><strong>sentir ansiedade</strong></em><strong></strong>quando as coisas que eu queria não iam tão rápido quanto eu imaginava que deveriam. Eu achava que deveria ser mais veloz, mais rápida em entregar, e a velocidade era um fator crucial, mesmo que para isso eu perdesse conteúdo. Eu&nbsp;<em><strong>ficava angustiada</strong></em>&nbsp;quando ia para a pós-graduação e o tempo parecia devagar demais.&nbsp;<strong>Quando eu ficava&nbsp;</strong><em><strong>impaciente e frustrada</strong></em><strong>, eu abria a tela.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não conseguia sentar para escrever textos, curtos ou longos, porque&nbsp;<strong>me distraía&nbsp;</strong>com qualquer coisa.&nbsp;<strong>Perdia o foco rápido,</strong>&nbsp;o interesse nas coisas. Perdi as contas de quantas vezes cheguei num cômodo da casa e me perguntei&nbsp;<em>“o que vim fazer aqui mesmo?”</em>&nbsp;sem conseguir lembrar de coisas que tinham acabado de acontecer. Eu estava botando tudo isso na conta do “estou ficando velha” (e eu tenho só 45 anos!), ou na conta da perimenopausa.&nbsp;<strong>Eu me perdia fácil na linha de raciocínio, esquecia pequenas coisas, esquecia palavras que queria falar.</strong>&nbsp;Mas tudo isso era sintoma do brain rot, que eu expliquei um pouco no texto passado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando comecei o detox de redes sociais, aos poucos foi ficando claro que meus sintomas não eram de crise de ansiedade, depressão, burnout, perimenopausa ou qualquer outro aspecto de saúde mental. Eram&nbsp;<em>brain rot</em>&nbsp;(cérebro apodrecido) pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais, repetitivos, sem profundidade ou complexidade alguma. Conteúdos que não desafiavam meu cérebro a se manter ativo por não apresentar resistência nenhuma, não ativavam minha reflexão, nem estimulavam meu raciocínio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Estratégias e resultados</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>PRIMEIRA DECISÃO:</strong></em>&nbsp;Comecei todo esse movimento por causa do detox de compras por impulso. Minha&nbsp;<em>primeira decisão</em>&nbsp;foi me impor um detox extra: o de um dia na semana sem telas e um limite de 15 minutos por vez nos outros dias. O resultado inicial foi impactante. Meu tempo de tela reduziu de 3,5h para 1h por dia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>SEGUNDA DECISÃO:</strong></em>&nbsp;Depois de umas semanas, não por causa do detox e sim para preservar a bateria do celular, coloquei uma&nbsp;<em>segunda decisão</em>: eu tirei redes sociais do celular e comecei a usar só em tablet. Isso me trouxe uma ajudinha extra para me manter nessa 1h por dia, porque era muito mais trabalhoso e cansativo ficar com o tablet na mão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas duas decisões me deram bons&nbsp;<em><strong>resultados&nbsp;</strong></em>→ minha ansiedade reduziu drasticamente, passei a sentir menos fome e comer mais moderadamente. Passei a dormir melhor, a noite toda, sem acordar com aquela sensação de ter dormido a noite toda e acordar cansada como se não houvesse feito um descanso apropriado. Passei a me lembrar, aos poucos, de pequenas coisas que eu queria fazer quando estava em cômodos da casa. Consegui escrever meu TCC, que estava com muita dificuldade de sentar e focar para fazer, e tirei 10 com elogios do professor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>TERCEIRA DECISÃO:</strong></em>&nbsp;Achei já ótima essa mudança, mas outros sintomas continuavam os mesmos. Eu tinha a sensação de que estava tão cansada que não conseguia trabalhar direito. O mais difícil era que isso mexia com a minha ideia de quem eu era e minha autoestima. Eu não conseguia mais ler sem ficar parando, esquecendo, tendo que reler tudo, me sentindo frustrada e desistindo dos livros. Procrastinava pequenas tarefas porque parecia que não conseguia ir até o fim delas. Tudo me tirava o foco. Foi então que tomei uma decisão mais radical:&nbsp;<strong>toda vez que eu tivesse vontade de entrar em redes sociais sem propósito definido, eu</strong>&nbsp;<strong>ia fazer qualquer outra coisa usando o corpo.</strong>&nbsp;Bateu a vontade? Vou fazer um bolo. Vou colocar roupa para lavar. Vou me alongar na sala. Até agachamento eu fiz para não entrar em redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>RESULTADO:</strong></em>&nbsp;E, magicamente (a gente sabe que não há mágica, e sim desejo, decisão e ação), eu voltei ao funcionamento normalizado. Parece que existia um outro-eu dentro de mim aguardando para surgir. Voltei a ler livros, a conseguir me focar novamente, faço uma coisa de cada vez, minha comida não tem mais sabor de Instagram (ou seja, queimada!).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho que construí ao longo do ano, de janeiro até agora, me ajudou a recuperar meu cérebro e seu funcionamento normalizado. Mas eu ainda estou em processo, porque a vontade de voltar pra tela é como um cabo de guerra.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Não há um caminho único</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sei que esse tema ainda não está plenamente discutido nas rodas de conversa por aí. Quando converso com pessoas, o que mais escuto é: “eu acho que redes sociais não me fazem bem…&nbsp;<em><strong>mas eu tenho tudo sob controle!</strong></em>” Não, não temos nada sob controle… na verdade, nem reconhecemos os efeitos nocivos do consumo excessivo de conteúdos rasos! Mas eles estão mais presentes do que imaginamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E também não há um caminho único de saída! As decisões que tomei foram muito intuitivas, baseadas na realidade que eu ia entendendo que estava acontecendo e como eu passei a agir para sanar o que estava tomando consciência. Ou seja,&nbsp;<em>“passo 4h? ok… farei isso-e-aquilo para passar apenas 1h”</em>.&nbsp;<em>“Tenho acesso direto à tela? Vou usar só no tablet…”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez para você tudo seja diferente… Ou não!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Te contei aqui meu caminho não para que te sirva de exemplo ou modelo definitivo, mas para que seja&nbsp;<em><strong>inspiração</strong></em>. Eu não me sinto fora de perigo, ainda mais porque todos os dias, quando sinto emoções mais fortes, me sinto frustrada, triste, com medo, com raiva, com vergonha e etc, eu pego o celular. Virou um comportamento automático que eu tenho ficado cada vez mais consciente de que existe. O impulso não passou… eu hoje só tenho mais gerenciamento sobre ele e encontrei estratégias pessoais para não ser refém dos meus comportamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só quero te contar que esse caminho que construí me ajudou a recuperar meu funcionamento normal. Hoje, voltei a me sentir mais eu mesma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pensa aqui comigo…</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Te deixo aqui no final com uma pergunta: será que não está na hora de você começar a repensar sua relação com conteúdos superficiais e acelerados?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez os sintomas que você esteja sentindo, se forem como os meus, não sejam de ansiedade ou depressão. Talvez você não precise de mais foco, mais disciplina, mais tarefas. Talvez você precise de menos tempo de tela consumindo conteúdos rasos e rápidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensa sobre isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, se possível, compartilha esse texto com mais gente…&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Você pode também ouvir minha história gratuitamente nas plataformas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://youtu.be/gEYsxwriKrA">YouTube</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://open.spotify.com/episode/70Org3m78khKTbXQ01AI2B?si=tUTa4C-iRpC1Vvs3FNPlHQ">Spotify</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um abraço,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O brain rot pode estar te fazendo perder dinheiro sem perceber&#8230;</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2025/10/23/o-brain-rot-pode-estar-te-fazendo-perder-dinheiro-sem-perceber/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 15:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>
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					<description><![CDATA[Você já ouviu a expressão brain rot?  A tradução literal desse termo é “apodrecimento cerebral” ou “cérebro apodrecido”, e por mais estranha que pareça, ela descreve de forma bem precisa um fenômeno da nossa vida contemporanea. Embora o termo tenha surgido em 1854, usado por um autor americano para criticar a desvalorização de ideias complexas, e&#8230;]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Você já ouviu a expressão <em>brain rot</em>? <br><br>A tradução literal desse termo é “apodrecimento cerebral” ou “cérebro apodrecido”, e por mais estranha que pareça, ela descreve de forma bem precisa um fenômeno da nossa vida contemporanea. Embora o termo tenha surgido em 1854, usado por um autor americano para criticar a desvalorização de ideias complexas, e nos últimos anos ele foi revisitado, dado um novo significado e, em 2024, foi eleito a expressão do ano pelo dicionário Oxford.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o aumento do uso de telas e redes sociais, o&nbsp;<em>brain rot</em>&nbsp;acabou se tornando a expressão para explicar o adoecimento do cérebro diante do consumo excessivo de conteúdos superficiais, de fácil digestão e gratificação instantânea. Em outras palavras, estamos treinando nossa mente para funcionar de modo raso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil é hoje o segundo país em que as pessoas passam mais tempo diante de uma tela (para termos uma dimensão, o brasileiro passa em média 9,5h/dia em telas e tem 6,5h de sono por noite) e boa parte disso é dedicada a WhatsApp e redes sociais. O resultado? Aos poucos, estamos perdendo habilidades cognitivas importantes simplesmente porque deixamos de exercitar um pensamento mais aprofundado, a reflexão e o raciocínio.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Sintomas invisíveis do&nbsp;<em>brain rot</em></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os sinais do&nbsp;<em>brain rot</em>&nbsp;costumam ser confundidos com outras condições de saúde mental como burnout por exemplo. Fadiga mental, memória fraca, dificuldade de manter o foco, ansiedade, irritabilidade, procrastinação, perda de interesse em atividades fora da tela, todos esses sintomas podem parecer isolados e serem associados à outras condições da mente, mas frequentemente estão ligados ao uso excessivo das redes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem perceber, trocamos o mundo real por uma versão hiperestimulante e superficial dele. E isso está nos adoecendo.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Quando o cérebro se sobrecarrega</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso cérebro não foi feito para lidar com estímulos rápidos, vibrantes e constantes. Essa sobrecarga afeta a forma como nosso cérebro funciona, impactando como vivemos e nos relacionamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez já tenha acontecido com você situações como essas… Bom pelo menos comigo aconteceu em diversas ocasiões! Você sai com amigos e eles olham mais para a tela do celular do que para você. Ou ficam mais sorridentes olhando tela do celular que olhando no seu rosto. Te mostram memes, te encaminham, mas ao vivo parecem perder o interesse numa conversa real. Ou tem dificuldade de se manter num único assunto e aprofunda-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para quem está com consumo excessivo de telas parece até que a vida é mais cinza fora das telas. As decisões, mesmo as menores, parecem exigir mais energia. O&nbsp;<em>brain rot</em>&nbsp;afeta nossa percepção de prazer, de propósito e de sentido.</p>



<h3 class="wp-block-heading">E o que tudo isso tem a ver com dinheiro?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que imaginamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o cérebro adoece, isso se manifesta em todas as áreas da vida, inclusive nas finanças. O&nbsp;<em>brain rot</em>&nbsp;prejudica nossa capacidade de reflexão e tomada de decisão, e isso impacta diretamente o modo como lidamos com o dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez você tenha notado um aumento no seu sentir e experienciar ansiedade financeira nos últimos anos. Ou seja, todas as vezes que você precisa lidar com dinheiro, seu coração acelera, você tende a ficar mais nervoso, a pele fica mais fria e sua mente acelera. E claro, parte disso vem de um mundo mais caro e exigente, mas parte também vem de um cérebro sobrecarregado por estímulos que o impedem de pensar com profundidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fica mais difícil conter compras por impulso, avaliar prós e contras antes de gastar, manter o foco em metas financeiras ou até mesmo pensar com clareza sobre o que realmente precisamos. Afinal, uma mente embotada vai ter uma maior tendência a tomar qualquer decisão para não se sentir angustiada!</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um convite à reflexão</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Não falo tudo isso para vitalizarmos redes sociais e uso de celular. Meu alerta vai para reconhecermos que o tempo de tela tem um custo invisível, e talvez o mais alto deles seja o da sua clareza mental, foco e produtividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você sente mais cansaço, mais dispersão e menos foco do que há cinco anos, talvez seu cérebro esteja pedindo uma pausa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo é simples: perceber. Perceber quanto tempo você dedica à tela, quanto dela realmente te nutre e quanto apenas te distrai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, não é só sua atenção que está sendo drenada. Pode ser também o seu dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se quiser ouvir o episódio que originou esse texto, ele está disponível nas plataformas: <a href="https://spotify.link/gdI8z2b6FXb">Spotify</a> e <a href="https://youtu.be/w0rYzelkQZE">YouTube</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um abraço,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Vício nunca foi sobre falta de força de vontade</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2025/06/04/vicio-nunca-foi-sobre-falta-de-forca-de-vontade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jun 2025 14:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[comportamento]]></category>
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					<description><![CDATA[Bom, se você não anda desconectado de tudo, deve ter visto que nos últimos meses uma pauta tem ganhado destaque na mídia brasileira: o aumento de pessoas endividadas, principalmente por conta de apostas on-line. A chamada “CPI das bets” expôs uma realidade preocupante na qual influenciadores são pagos para divulgar apostas on-line e jogos de&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="2180" class="elementor elementor-2180" data-elementor-post-type="post">
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									<p>Bom, se você não anda desconectado de tudo, deve ter visto que nos últimos meses uma pauta tem ganhado destaque na mídia brasileira: o aumento de pessoas endividadas, principalmente por conta de apostas on-line. A chamada “CPI das bets” expôs uma realidade preocupante na qual influenciadores são pagos para divulgar apostas on-line e jogos de azar com avisos que soam mais como alívio de culpa do que como responsabilidade: &#8220;aposte com consciência&#8221;, &#8220;saiba que você pode perder&#8221;, &#8220;se você tiver algum tipo de vício, é recomendado que você não jogue&#8221;. Mas será que sabemos o que é um vício?<picture style="font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif; text-align: var(--text-align);"><source srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg%20424w,%20https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg%20848w,%20https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg%201272w,%20https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg%201456w" type="image/webp" sizes="100vw" /><img fetchpriority="high" decoding="async" class="sizing-normal" src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg" sizes="100vw" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CtpD!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg 1456w" alt="" width="1750" height="861" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/358668ac-db16-43e3-ab81-ea652ed22330_1750x861.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:861,&quot;width&quot;:1750,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:278470,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://saramatos.substack.com/i/165101136?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb74a58e3-ed06-47ef-b3fb-c53614d75070_1750x1400.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" /></picture></p>
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<p>Quando se fala em vício, há um senso comum que nos leva a pensarmos apenas em drogas ilícitas, em dependência química severa ou em casos extremos de destruição da própria vida de quem usa. Há ainda quem ache que é apenas uma questão de desequilíbrio neurológico ou bioquímico: o vício como um desequilíbrio no cérebro e, por isso, basta tomar um remédio para eliminar esse sintoma. Embora essas ideias façam parte da explicação, elas são limitadas e incompletas. Isso porque vício não é sobre substâncias químicas ilegais ou não. É sobre o que se busca de forma compulsiva no curto prazo, apesar das consequências negativas no longo prazo.</p>
<p>O médico canadense dr. Gabor Maté, especialista em traumas e adicção, define vício como:</p>
<blockquote>
<p><em>“Vício é qualquer <strong>comportamento frequente</strong>, <strong>relacionado ou não à substâncias </strong>químicas, que alguém se sente compelido a <strong>repetir</strong> apesar do <strong>impacto negativo </strong>em sua vida e na vida dos outros.”</em></p>
</blockquote>
<p>Essa definição já nos revela o quão incompleto é nosso olhar para a adição. Ela não inclui apenas o uso de substâncias químicas potencialmente viciantes, sendo elas lícitas ou ilíticas, mas também os comportamentos repetitivos, compulsivos, às vezes até socialmente aceitos, como fazer compras impulsivamente, usar redes sociais sem parar, trabalhar de forma exaustiva, comer escondido ou apostar com dinheiro que deveria ser usado para sustentar partes da vida.</p>
<p>A dificuldade de muitas vezes pessoas buscarem ajuda está no erro de achar que vícios comportamentais são apenas “mania”, “maus hábitos”, falta de disciplina ou um “problema moral” (assim mesmo, entre aspas, para que você compreenda que nenhuma dessas expressões é verdadeira quando se trata de vícios). Reduzimos a seriedade do assunto ao dizer que basta força de vontade para mudar. Vício é uma palavra simples que esconde uma questão complexa, que não tem como ser endereçada com soluções rasas e simplórias. Sua raiz não está apenas na dependência de substâncias químicas ou um mero desequilíbrio fisiológico. É preciso que compreendamos suas causas também emocionais, psicológicas, sociais, culturais, políticas e até mesmo espirituais.</p>
<p>Gabor Maté descreve quatro aspectos observáveis que podem ajudar você a compreender se há comportamentos de vício em pessoas de sua relação, ou quem sabe em você mesmo.</p>
<p>O <strong>primeiro é a obsessão ou compulsão pelo objeto de adicção</strong>: a mente da pessoa gira em torno daquilo, seja a substância, o objeto ou o comportamento. É como se nada mais importasse, como se a vida fosse só sobre aquilo. O <strong>segundo aspecto é a perda de controle</strong>. Mesmo quando a pessoa acredita que consegue parar a qualquer momento, basta um gatilho — uma emoção difícil, um conflito, um vazio — para que todo o ciclo recomece. E, uma vez iniciado, devido à reconfiguração neurológica feita pelo vício, não é possível usar a força de vontade para interromper o processo da busca por aquilo que se tem compulsão.</p>
<p>O <strong>terceiro ponto é a recaída</strong>, mesmo sabendo dos danos causados à si e ao outro no processo. Hoje, já se sabe que pessoas que não tem conexão social significativa, que sofrem isolamento ou não tem suporte emocional, tem de 80% a 90% de chances de recaírem em velhos padrões de uso e compulsão, mesmo com todas as promessas feitas. Por isso é crucial, no processo de recuperação, que não se faça isso sozinho. E o quarto aspecto é a fissura: aquele estado de inquietação, irritação, ansiedade que surge quando o objeto do desejo não está disponível. A mente busca justificativas, manipula ou distorce a realidade para conseguir o que quer. Assim que ela consegue, a euforia passa e ela só consegue pensar “porque eu fiz isso?”</p>
<p>Esses quatro sinais ajudam a diferenciar um comportamento comum de algo mais profundo. <em><strong>A verdade é que nem tudo que se repete é vício</strong></em>. Mas todo vício carrega esse peso: ele invade a autonomia, esgota a energia vital e, pouco a pouco, rouba a liberdade de escolha.</p>
<p>A ideia de que vício se resolve com força de vontade é não só ineficaz, mas também é cruel. Isso porque faz com que a pessoa carregue culpa, vergonha e fracasso em algo que ela já não consegue controlar sozinha. É por isso que precisamos de mais compreensão, compaixão, escuta, presença, não de julgamento.</p>
<p>Vício não é um erro de caráter. É um sintoma que mascara algo mais doloroso que acontece na alma. No próximo texto, quero continuar essa conversa te mostrando o que está por trás de um vício, o que ele revela, o que ele tenta calar, e por que muitas vezes ele é a única forma que uma pessoa encontra para sobreviver emocionalmente.</p>
<p>Se esse texto te tocou ou te fez lembrar de alguém, talvez seja um bom momento para olhar com mais gentileza para o que está acontecendo aí dentro.</p>
<p>E se quiser também acessar o episódio do podcast no qual falo mais profundamente sobre isso, você pode ouvi-lo no <strong><a href="https://open.spotify.com/episode/21o6TsJXVmrS0BW9QN0BKZ?si=NIZ1r5bDTsqcRad_WIgUbw">Spotify</a></strong> ou <strong><a href="https://youtu.be/xopneR40fOA?si=8Vjah7ke5biTBamR">YouTube</a>.</strong></p>
<p>Um beijo e até a próxima news…</p>
<p>Sara.</p>								</div>
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		]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Não há prosperidade no imediatismo.</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2024/08/19/nao-ha-prosperidade-no-imediatismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 14:41:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[prosperidade]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia financeira]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[riqueza]]></category>
		<category><![CDATA[terapia adulto]]></category>
		<category><![CDATA[terapia on-line]]></category>
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					<description><![CDATA[Vamos fazer um exercício de imaginação livre. Se eu te falar a palavra “prosperidade”, o que primeiro vem à sua mente? Que desejos, palavras, frases, imagens, atitudes e comportamentos se sobressaem? Eu não sei o que veio para você. Talvez tenha vindo uma grande tela azul, já que você nunca parou para refletir o que&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vamos fazer um exercício de imaginação livre. Se eu te falar a palavra “prosperidade”, o que primeiro vem à sua mente? Que desejos, palavras, frases, imagens, atitudes e comportamentos se sobressaem?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não sei o que veio para você. Talvez tenha vindo uma grande tela azul, já que você nunca parou para refletir o que prosperidade simboliza para você. Ou quem sabe uma imagem de riqueza material, repleta de alegria e felicidade. Para muitos de nós, prosperidade e abundância costumam vir com uma imagem muito semelhante a essa: vou me sentir abundante e próspera quando eu puder chegar numa loja e escolher o que eu quiser sem me preocupar em como vou pagar por aquilo. Me sentirei e serei próspera quando eu puder ter o que desejo sem me preocupar com minha conta bancária ou quando dinheiro não for problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais que exista aqui uma imagem positiva, ela também esconde um segredo que pouca gente reflete mais profundamente para compreender que essa imagem de prosperidade de aparências joga você na escassez financeira: ela desconsidera os limites e controle de impulsos como parte essencial de uma prosperidade real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixa eu explicar melhor…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Normalmente, quando alguém entende prosperidade com comprar o que quiser sem se preocupar com a conta no final do mês, esse tipo de comportamento está presente. Estou passeando no shopping e vi um sapato, uma roupa, ou outro item qualquer e tive desejo de possuí-los. Não era algo que planejei, nem refleti sobre esse desejo súbito, apenas passo o cartão e vou ser feliz com minhas compras. Estou nas redes sociais e vi um post patrocinado de um curso qualquer que despertou meu desejo de possuir aquele conhecimento ali naquele momento? Passo o cartão e compro o conhecimento. Não importa o que eu desejo, se me sinto próspera, posso apenas sentir que o que desejo está ao alcance das minhas mãos (e do limite do meu cartão!) e, de forma impulsiva, conquisto meu desejo de forma imediata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É como se houvesse uma compreensão de que pode-se gastar sem limites hoje, que não estaria sacrificando o futuro de forma alguma. Ou seja, não haveria a necessidade nem de prejudicar o aqui-e-agora, ou o futuro. Ambos poderiam acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se estivesse conversando comigo pessoalmente, talvez você me perguntasse:&nbsp;<em>“Porque isso não é prosperidade? O que tem de errado com essas imagens?”</em>&nbsp;Porque parece que essa imagem mostra que alto padrão de gastos e pouca preocupação real com a vida financeira são sinônimos de prosperidade e abundância.&nbsp;<em>“Eu quero, eu posso, eu gasto, e não prejudico nem o hoje, nem o amanhã”</em>&nbsp;é a sequência “lógica” (que não tem nada de lógico na verdade) dessa imagem de prosperidade que não leva em consideração que dinheiro, como tudo o que é material e vivo, tem um limite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Normalmente, que acredita que prosperidade é ter dinheiro o suficiente para não segurar nenhum desejo de compra é a mesma pessoa que no final do mês tem crises de ansiedade financeira por não saber como vai pagar a fatura do cartão de crédito. Ou tem dívidas e empréstimos feitos para cobrir esses gastos impulsivos, ao invés de refletir sobre suas compras. O futuro chega cobrando seu preço.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prosperidade não existe na impulsividade e no imediatismo.</h3>



<p class="wp-block-paragraph">São dois movimentos que não coexistem num mesmo espaço. Ou você é impulsivo e faz compras imediatistas, ou você é próspero. Ou você tem prazer no aqui-e-agora, ou você pensa no futuro. Isso porque são duas formas diferentes demais de agir no mundo, uma cria uma vida financeira de problemática e a outra cria uma vida financeira nutritiva e equilibrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sentir desejo de comprar algo e não refletir, não fazer conta, não balancear presente e futuro, apenas comprar justificando o gasto com um&nbsp;<em>“eu mereço”, “amanhã eu vejo como pago”, “só se vive hoje”,</em>&nbsp;etc, cria em você um circuito que leva direto para a escassez total. A dificuldade em se colocar freios para o impulso “eu quero e quero agora!” impede você de construir, por exemplo, patrimônio porque, para isso, você precisaria sacrificar uma parte dos desejos imediatistas pensando nas recompensas de longo prazo. Tudo o que é imediatista e impulsivo sacrifica um bem maior para um prazer momentâneo. (Me lembrei de uma cena de Friends que a irmã da Rachel fala para o Joe, enquanto ele comia pizza “once on the lips, always on the hips” / “uma vez na boca, sempre nos quadris”)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prosperidade leva em consideração a reflexão sobre o que esse desejo significa para mim, sobre o que aquele objeto me trará de benefícios/prejuízos no curto e não-tão-curto prazo. Leva em consideração que há um limite para a matéria, que tudo o que é material é limitado e se torna obsoleto após um tempo, precisando ser gerenciado com inteligência. Prosperidade requer cuidado com aquilo que está à disposição, compreendendo que não possuímos ou conquistamos nada, e sim somos guardiões da nossa vida como um todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que não existe prosperidade na impulsividade e satisfação sem refrear de desejos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira atitude de quem deseja viver com prosperidade então é aprender sobre seus comportamentos de compra, sacrificando desejos que trazem prazer imediato em detrimento de um bem estar de longo prazo. Um detox de compras e um acompanhamento terapêutico no processo podem ser um bom lugar para se começar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em setembro, eu abrirei novas turmas para o grupo terapêutico&nbsp;<strong>DONA DO MEU DINHEIRO</strong>. Um grupo que tem 4 encontros para trabalharmos questões profundas sobre dinheiro e emoções, e um conteúdo gravado para te direcionar sobre caminhos interiores que precisam ser trilhados para quem quer viver uma vida próspera. A lista de espera já está aberta para quem quiser se inscrever antecipadamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd2ICtnowE6dcH5RhtIPHEPWod_1Gqxt6x61O4xTQnXYZjj8w/viewform">LISTA DE ESPERA &#8211; DONA DO MEU DINHEIRO</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí, vamos começar a olhar para dentro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um beijo,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Perimenopausa, o grande ciclo de TPM?</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2024/08/12/perimenopausa-o-grande-ciclo-de-tpm/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 14:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ser mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Terapias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://saramatos.com.br/?p=2174</guid>

					<description><![CDATA[Talvez por força da minha própria profissão, talvez por curiosidade particular, talvez por tentar entender muito do que vivo e sinto e não sei nomear direito, eu curto ler sobre os aspectos simbólicos e subjetivos/interiores dos ciclos femininos. O que acontece dentro da gente diante dos grandes momentos da biologia? Daqueles que toda mulher passa&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Talvez por força da minha própria profissão, talvez por curiosidade particular, talvez por tentar entender muito do que vivo e sinto e não sei nomear direito, eu curto ler sobre os aspectos simbólicos e subjetivos/interiores dos ciclos femininos. O que acontece dentro da gente diante dos grandes momentos da biologia? Daqueles que toda mulher passa durante a vida, como menstruação, gravidez e menopausa?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pra mim, a menstruação sempre foi um mistério. Eu cresci sem conversar com outras mulheres sobre esse assunto e me sentia muito sozinha lidando com ele. Mas de uns tempos pra cá, tenho me aberto a conversar sobre isso com outras mulheres e tem sido muito bom… Outro dia, estava conversando com uma amiga, já que estamos passando pela mesma fase de vida, a perimenopausa, e percebi que eu estava lidando com essa fase de uma forma “errada”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Biologicamente, a perimenopausa é uma fase que não existe, já que os grandes marcos biológicos são: o início do grande ciclo fértil com a menstruação, a fertilidade no seu auge com a gravidez e o fim desse ciclo com a menopausa. O que acontece no meio do caminho é apenas material de transição, mas que mexe muito com nosso emocional e vida psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo li (tem um livro maravilhoso sobre isso The New Menopause, ainda sem versão em português), a perimenopausa é um tempo de transição que dura entre 7 a 10 anos para a mulher, marcado por uma série de sintomas físicos que vão desde cansaço, perda de libido, pele mais seca, piora da saúde mental e outros. Fiquei chocada que um dos marcadores mais fortes da chegada da perimenopausa são tanto a perda de libido como a piora da saúde mental da mulher. Sintomas depressivos, ansiosos, agitação mental, névoa mental, confusão de pensamentos, tudo isso faz parte desse período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos 2 anos, tenho sentido isso tudo na pele. Dificuldade de me concentrar, episódios depressivos recorrentes, irritação sem causa aparente, medos do futuro, pensamentos confusos, noites mal dormidas por causa de sonhos aterrorizantes, medo da solidão. Eu achava que estava vivendo tudo isso sozinha, que havia algo de errado comigo, até conversar com amigas e perceber que elas viviam situações semelhantes. Foi aí que me deu um clique e passei a investigar melhor sobre aspectos psíquicos dessa fase da vida da mulher e o que encontrei me deu não apenas alívio, mas também um caminho para lidar com essa fase com muito mais leveza e recurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho que poderíamos dizer que, psiquicamente, a perimenopausa é como se fosse a “TPM” do grande ciclo de uma mulher. Acompanha meu raciocínio…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagine que o que vivemos todo mês não diz respeito apenas ao mês em si, e sim a uma reprodução numa pequena escala de algo que acontece numa escala muito maior, pela vida inteira fértil de uma mulher. Todo mês, entramos no ciclo fértil após a menstruação, vivemos no auge da nossa energia hormonal durante a fase folicular, até o momento em que ovulamos. Depois da ovulação, os hormônios se modificam, vamos ficando mais irritadiças, mais nervosas e sem muita simpatia para ficar distribuindo por aí. É a TPM que chega, preparando o terreno para a menstruação e retorno ao ciclo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também vivemos esse mesmo ciclo numa escala maior da vida: pós a primeira menstruação, o corpo passa uns anos para se adaptar à essa carga hormonal. Temos energia de sobra, realizamos na vida, trabalhamos e construimos. Em um momento, atingimos o auge da fertilidade, para algumas com o desejo e concretização da maternidade, para outras com o desejo de realizar algo de bom no mundo. Quando essa fase da fertilidade começa a reduzir, entramos na TPM do grande ciclo, nos preparando para a menstruação final, aquela que nos dará entrada na fase que viveremos de forma permanente até o fim da vida: menopausa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, consegui compreender que o que vivemos no microtempo mensal, vivemos no macrotempo, no tempo de uma vida toda. O que acontece “em cima”, acontece “em baixo&#8221;. No pequeno tempo e no grande. E, assim, podemos compreender que o que vivemos todo mês pode vir a ser um reflexo do que vamos viver durante toda a vida fértil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sei para você, mas isso fez muito sentido para mim! Ainda mais compreendendo quais aspectos psíquicos se revelam para nós nos dias entre a ovulação e a menstruação. E me deu um olhar diferente para a perimenopausa, numa perspectiva interior, psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não vou entrar nos aspectos biológicos da fase pré-menstrual, e sim nos psicológicos. Nesse período que compreende os dias depois da ovulação e antes da menstruação, o limiar entre consciência e inconsciente fica muito mais fluido. Conteúdos emocionais reprimidos e desconhecidos invadem a consciência com mais facilidade, já que a barreira entre consciente e inconsciente fica menor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É também por causa disso que você fica muito mais irritada, emotiva, sem muita energia, se sentindo sem graça… Parece até que um outro ser se apossa do seu corpo e você tem dificuldade de se reconhecer. Nessa fase, qualquer ato emocional é justificado com um&nbsp;<em>“estou de TPM&#8221;…</em>&nbsp;<em>“não sou eu, são meus hormônios!&#8221;</em>.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Psicologicamente, a frase mais adequada é “não sou eu, é minha sombra!&#8221;.</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Sombra é a parte do nosso mundo interior que é guardiã e cuidadora de todo conteúdo emocional que vivemos, mas a consciência não conseguiu dar conta, seja porque é algo muito diferente da consciência, seja porque é desconhecido da consciência e, portanto, dá medo. Ao longo do mês, à medida que vamos dizendo&nbsp;<em>“nossa, não quero olhar para isso…&#8221;</em>,&nbsp;<em>“ai, isso eu não quero lidar!”</em>&nbsp;e vamos reprimindo e escondendo esse conteúdo, ele vai para a sombra e, aproveita a TPM para vir passear no mundo luminoso, causando caos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que quanto mais uma mulher cuida de sua vida interior durante o mês, mais ela consegue lidar com os conteúdos que emergem na TPM. O que dentro do mês foi integrado, não reaparece na TPM como forma de sintoma, seja físico, seja emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há 2 anos, quando comecei a entrar na perimenopausa, comecei a sentir um aumento na carga dos conteúdos emocionais. Tive sintomas depressivos mais intensos, ansiedade financeira toda semana, um cansaço, uma irritação e perda de energia.&nbsp;<strong>Parecia que eu não era mais eu… estava difícil me reconhecer.</strong>&nbsp;Foi então que me veio uma ideia:&nbsp;<em>“parece que estou numa TPM sem fim.”</em>&nbsp;E assim que esse pensamento tomou forma na minha mente, pude lidar de um jeito diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, de TPM eu entendia… Eu vivo esse ciclo todo mês desde os 13 anos. Então, fazendo contas básicas, até os 42 anos, eu já tinha passado pela fase pré-menstrual umas 350 vezes. Esse filme me era familiar… e, por isso, eu já sabia como lidar com ele:&nbsp;<strong>olhando para a minha sombra.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi e está sendo curador. E todos os sintomas reduziram drasticamente. Me sinto eu novamente, com mais consciência dos movimentos que existem e dos conteúdos que habitam meu mundo interior. Partes dessa história que eu não pude encontrar e integrar estão vindo a tona agora e tem sido muito belo. Estou mais cuidadosa com meu corpo, ouvindo seus pedidos e me encontrando em mim mesma…</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que começou como um pesadelo, agora é puro amor e encontro com a Alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sei se você também está nessa mesma fase, mas se sim, terapia ajuda num tanto! Porque é uma fase mais difícil para quem ainda tem pouco ou nenhum contato com seu mundo interior. Mas não precisa ser assim…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Terapia é para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos iniciar um processo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Beijos,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sara.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Vender sem medo de parecer picareta?</title>
		<link>https://saramatos.com.br/2024/08/06/vender-sem-medo-de-parecer-picareta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Matos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 14:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inteligência Emocional Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[Terapias]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[consciencia]]></category>
		<category><![CDATA[emoção]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>
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					<description><![CDATA[Todo vendedor é um potencial mágico. CALMA! Antes de você achar que vai ter que virar o David Copperfield ou o Mister M. (quem é dessa época dá um alô nos comentários!), deixa eu explicar melhor. Jung escreveu durante toda a sua obra a respeito dos arquétipos que vivem em nossa psique. Ele teorizou, a&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Todo vendedor é um potencial mágico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CALMA! Antes de você achar que vai ter que virar o David Copperfield ou o Mister M. (quem é dessa época dá um alô nos comentários!), deixa eu explicar melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung escreveu durante toda a sua obra a respeito dos arquétipos que vivem em nossa psique. Ele teorizou, a partir das ideias de Platão e outros, que arquétipos são padrões de comportamentos que estão presentes em diferentes culturas, povos, tempos e lugares. Eles são universais, coletivos, atemporais, infinitos e carregam um conjunto de crenças, pensamentos, comportamentos, impulsos, emoções e instintos em torno de um tema específico. Para cada padrão de comportamento, nós demos um nome diferente: o rei e a rainha, a princesa, o plebeu, guerreiro, poder, amor e etc. Entendeu a linha de raciocínio? Então tá, vamos continuar&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos arquétipos que existe na psique humana é o do MAGO ou mágico (ps.: não estou falando de branding e sim de psicologia, ok?!). É a força daquele que sabe. Daquele que já viveu o mesmo que você está vivendo, e conhece o que você sente e conhece um caminho de solução que talvez ninguém pensou. Ele tem conhecimentos que você não tem acesso. Conhece os truques, os caminhos e a fórmula que soluciona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fácil reconhecer quando estamos diante de um &#8220;mago&#8221; no dia-a-dia. Quer ver só?! Imagine que você está com um problema persistente na sua máquina de lavar há dias, já fez tudo o que o manual mandou e nada resolve. Chama um técnico e ele mexe numa mangueira esquisita e em 5 f#ck*ng minutos tudo volta ao normal. Você olha pra ele e pergunta: &#8220;como você fez isso? me mostra!&#8221;. É mágica! É conhecimento que você não tem acesso, mas que te dá a solução que você precisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do fato de o MAGO ter aquele conhecimento sobre algo ou uma solução que você não tinha pensado, ele também tem a força da imaginação, a capacidade de te fazer desejar algo que você ainda não tem e correr atrás disso. Então, no exemplo da sua máquina, você se sente num beco sem saída &#8211; quase comprando outra! &#8211; e então se depara com o anúncio de uma empresa que conserta máquinas que diz: &#8220;imagine que, quando você me contratar para consertar a mangueira da máquina, suas roupas ficarão mais limpas e sairão secas, prontas para o uso! eu sou a empresa com a maior quantidade de máquinas consertadas da região!&#8221;. Já ganhou seu coração, certo?!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois bem, vender requer que você crie uma mágica diante do outro:&nbsp;<strong>você consiga despertar nele o desejo por algo que não existe ainda, e que você consiga faze-lo imaginar que a solução é possível e o futuro bate à porta.</strong>&nbsp;E que é você o portador do conhecimento secreto, do futuro, da solução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo arquétipo tem seu lado luminoso, ou seja, positivo, aceito e desejado pela maioria, e também seu aspecto sombrio, negativo. Pois bem, é aqui um dos grandes medos que encontro em atendimento terapêutico quando alguém me diz que &#8220;trava na hora de vender!&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A sombra do MAGO é o manipulador, o picareta, o charlatão.</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, o picareta não precisa de apresentações! É aquele que te promete tudo e não entrega nada. Que faz você sonhar com um mundo encantado que estará acessível assim que você comprar o curso dele, mas quando você começa a assistir as aulas, percebe que comprou gato-por-lebre. Ou aquele outro que te fala &#8220;meu método vai salvar eu negócio!&#8221;. Me lembro que logo no começo dessa onda de cursos on-line, vi uma pessoa vendendo o curso dela anunciando que de 2mil reais você pagaria apenas 200 reais e teria uma forma de vender eficiente, e eu só pensei &#8220;picaretagem!&#8221;. Se era, eu não sei porque não comprei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro dia, ouvi um planejador financeiro (oi Amuri!) dizendo que tinha poucos medos na vida, mas um deles era o de ser picareta. Eu achei a colocação dele muito pertinente e madura. Porque esse é o caminho mais saudável, maduro e sábio para se lidar com a sombra do mago na hora de vender seus produtos ou serviços. Deixa eu ilustrar para você&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagine só que você quer fazer uma trilha, que fica no meio da mata fechada, e que vai te levar a uma cachoeira maravilhosa, água cristalina, de uma beleza surreal e que todo mundo diz que é mágica e tem poderes de cura. UHHHHH! Delícia, hein?! Bom, o guia fala que para chegar lá é uma boa caminhada, MAS ele precisa te avisar que tem cobras venenosas no caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual sua decisão nesse momento? Opção A &#8211; tenho tanto medo de pensar que vai ter cobras que o medo me domina e não entro nessa mata nem por toda a beleza do mundo!; Opção B &#8211; nada me impedirá de entrar nessa mata… tenho certeza que nada de mau acontecerá comigo!; Opção C &#8211; Eu respeito as cobras, respeito o medo que sinto, por isso me preparo adequadamente com sapatos e roupas, caminho devagar e atentamente, ouvindo e seguindo tudo o que o guia me disser para ir e voltar são e salvo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na história, a cobra é o picareta, a sombra do vendedor. Ela está no caminho, faz parte dele, não há o que fazer. Você tem três escolhas: ou você escolhe focar no viés negativo, não vai e perde tudo o que o caminho poderia te proporcionar, o que é o caso de muita gente que trava na hora de vender e não consegue de jeito nenhum fazer isso!; ou escolhe o viés positivo, vai de uma forma arrogante e quase irresponsável, ficando muito mais a mercê dos perigos e ate mesmo de oferecer algo que não entregaria (e não percebe!); ou escolhe ir usando o medo como forma de sabedoria, ou seja, se arriscando, mas caminhando devagar, no seu tempo e respeitando à si e à cobra que existe, percebendo os sinais da presença dela e como lidar com ela para não ser picado quando ela atravessar seu caminho (ou de tirar o veneno se a coisa ficar incontrolável!)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando alguém me diz que gostaria de perder o medo de vender, e numa investigação interior descobrimos que a raiz desse medo é devido à resistência para encarar a sombra do vendedor, a condução é muito mais lenta, para dar tempo de essa pessoa aprender a reconhecer e lidar com essa sombra, por si mesma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque a sombra do vendedor, o picareta (charlatão ou impostor), não vai deixar de existir. Não há curso de oratória, técnicas de vendas, marketing digital, nem se você fizer um doutorado em vendas que te fará eliminar essa sombra do caminho para que você se sinta seguro na hora de vender seu produto/serviço. Mas, não temas, pois a ajuda existe! O que é necessário fazer é aprender a lidar com isso e a terapia é o lugar mais apropriado para conversar com essa sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bora começar um processo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um beijo, Sara.</p>
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